OGÙN

                                
                                  
Filho de Odudua, rei de Ifé, Ogum tornou-se rei após uma inexplicável cegueira que acometeu seu pai. Galante e namorador foi marido de Iansã, Oxum e Obá, futuras esposas de Xangô. Durante seu reinado apossou-se da cidade de Irê, matando o monarca e colocando seu filho no trono, voltou à sua terra e durante anos reinou com tranquilidade. Um dia resolveu voltar a Irê para visitar o filho. Após uma longa viagem deparou-se, no entanto, com uma cerimônia religiosa, muito conhecida na época, na qual se exigia que todos mantivessem absoluto silêncio. Sem lembrar-se desse preceito, saiu pelas ruas tentando falar com alguém sem obter nenhuma resposta. Com fome e sede, andou irritado pela cidade sentindo-se desprezado. Em vários lugares encontrou vários potes de vinho, mas ao abrí-los viu que estavam todos vazios. Isso o deixou mais nervoso, então tirou a espada e começou a quebrar tudo que estava a sua volta. Os habitantes, mesmo em silêncio, tentaram controlar sua fúria. Mas quem segura a ira de Ogum? Todos foram degolados e quantos mais chegavam, mais mortes ocorriam. A cidade cobriu-se de sangue e luto. Passada a cerimônia, veio o filho e explicou-lhe o que havia ocorrido. Ninguém o desprezara, ali todos o amavam, fora um mal entendido ocasionado pelo tabu religioso. Ogum desgostoso pelo que fizera chorou muito e arrependeu-se profundamente de haver matado tantos súditos do reino. E tão ferido ficou com o acontecido que pegou sua enorme espada e cravou-a no chão com imensa força. Ouviu-se um grande estrondo e Ogum desapareceu nas entranhas da terra, tornando-se assim orixá.

ESÙ



Conta a lenda que houve uma demanda entre Exú e Oxalá para que pudesse saber quem era o mais forte e respeitado e foi aí que Oxalá provou a sua superioridade pois, durante o combate, Oxalá apoderou-se da cabaça de Exú a qual continha o seu poder mágico transformando-o assim em seu servo.

Oxalá então permitiria que Exú a partir de então recebesse todas as oferendas e sacrifícios em primeiro lugar. A Importância de Exú é
fundamental, uma vez que ele possui o privilégio de receber todas as oferendas e obrigações em primeiro lugar, nenhuma obrigação deve ser feita sem primeiro saudar a Exú.

É o dono de todas as encruzilhadas e caminhos, é o homem da rua, quem guarda a porta e o portão de nossas casas, quem tranca, destranca e movimenta os mercados, os negócios, etc. Exú também nos confirma tudo no jogo de Búzios.




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O COMEÇO...

No começo não havia separação entre o Orum, o Céu dos orixás e o Aiê, a Terra dos humanos. Homens e divindades iam e vinham, coabitando e dividindo vidas e aventuras. Conta-se que, quando o Orum fazia limite com o Aiê, um ser humano tocou o Orum com as mãos sujas. O céu imaculado do Orixá fora conspurcado.O branco imaculado de Obatalá se perdera.Oxalá foi reclamar a Olorum.Olorum, Senhor do Céu, Deus Supremo,irado com a sujeira, o desperdício e a displicência dos mortais,soprou enfurecido seu sopro divinoe separou para sempre o Céu da Terra.Assim, o Orum separou-se do mundo dos homense nenhum homem poderia ir ao Orum e retornar de lá com vida.E os orixás também não podiam vir à Terra com seus corpos.Agora havia o mundo dos homens e o dos orixás, separados.Isoladas dos humanos habitantes do Aiê, as divindades entristeceram.Os orixás tinham saudades de suas peripécias entre os humanose andavam tristes e amuados.Foram queixar-se com Olodumare, que acabou consentindoque os orixás pudessem vez por outra retornar à Terra.Para isso, entretanto, teriam que tomar o corpo material de seus devotos.Foi a condição imposta por Olodumare
Oxum, que antes gostava de vir à Terra brincar com as mulheres,dividindo com elas sua formosura e vaidade,ensinando-lhes feitiços de adorável sedução e irresistível encanto,recebeu de Olorum um novo encargo:preparar os mortais para receberem em seus corpos os orixás.Oxum fez oferendas a Exu para propiciar sua delicada missão.De seu sucesso dependia a alegria dos seus irmãos e amigos orixás.Veio ao Aiê e juntou as mulheres à sua volta,banhou seus corpos com ervas preciosas,cortou seus cabelos, raspou suas cabeças,pintou seus corpos.Pintou suas cabeças com pintinhas brancas,como as pintas das penas da conquém,como as penas da galinha-d’angola.Vestiu-as com belíssimos panos e fartos laços,enfeitou-as com jóias e coroas.O ori, a cabeça, ela adornou ainda com a pena ecodidé,pluma vermelha, rara e misteriosa do papagaio-da-costa.Nas mãos as fez levar abebés, espadas, cetros,e nos pulsos, dúzias de dourados indés.O colo cobriu com voltas e voltas de coloridas contase múltiplas fieiras de búzios, cerâmicas e corais.Na cabeça pôs um cone feito de manteiga de ori,finas ervas e obi mascado,com todo condimento de que gostam os orixás.Esse oxo atrairia o orixá ao ori da iniciada eo orixá não tinha como se enganar em seu retorno ao Aiê.Finalmente as pequenas esposas estavam feitas,estavam prontas, e estavam odara.As iaôs eram a noivas mais bonitasque a vaidade de Oxum conseguia imaginar.Estavam prontas para os deuses.
Os orixás agora tinham seus cavalos,podiam retornar com segurança ao Aiê,podiam cavalgar o corpo das devotas.Os humanos faziam oferendas aos orixás,convidando-os à Terra, aos corpos das iaôs.Então os orixás vinham e tomavam seus cavalos.E, enquanto os homens tocavam seus tambores,vibrando os batás e agogôs, soando os xequerês e adjás,enquanto os homens cantavam e davam vivas e aplaudiam,convidando todos os humanos iniciados para a roda do xirê,os orixás dançavam e dançavam e dançavam.Os orixás podiam de novo conviver com os mortais.Os orixás estavam felizes.Na roda das feitas, no corpo das iaôs,eles dançavam e dançavam e dançavam.Estava inventado o candomblé.(Reginaldo Prandi, Mitologia dos orixás, págs. 524-528)

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                           (Desculpe-me os erros em portugues, muito nervoso nesse dia)