INCORPORAÇÃO NO BRASIL.


A questão da inconsciência e da consciência da manifestação corpórea da Divindade está e sempre estará relacionada a toda e qualquer religião que atue no campo do trabalho espiritual, ainda mais no que se refere aos dias atuais, onde diversos elementos tais como: desconfiança, descrença popular, crítica, medo, problemas pessoais e tantos outros, reinam no coração de muitos adeptos de nossa religião e esses elementos com toda a certeza podem dificultar a manifestação plena da Divindade, causando então uma manifestação parcial.
Para entendermos isso de uma forma mais clara, devemos eliminar certos conceitos que são tratados durante anos como verdade, sendo que são conceitos totalmente errôneos. O Orixá não nasce para ninguém, na verdade somos nós que nascemos para o Orixá, para o caminho do Orixá, o Orixá vem pronto, quem aprende, quem precisa aprender a lidar com a energia do Orixá manifestada em nosso corpo somos nós, para que o mesmo possa atuar em sua plenitude.
Em muitas fotos e vídeos referentes ao que é feito em outras Terras, como na África, no que se refere ao Culto ao Orixá, podemos observar que, na maioria das vezes, no “transe” ou na manifestação corpórea da Divindade, esta encontra-se manifestada de olhos abertos.
A questão é que, no Brasil, criou-se um certo Tabu de que o Orixá deve vir com os “olhos cerrados”. Na minha opinião, isso varia de indivíduo para indivíduo. Cada ser humano possui a sua particularidade e por este motivo cada um tem uma forma de ser, de agir e até mesmo de lidar com a energia espiritual. Além disso, podemos considerar que, em alguns casos, até mesmo a Consciência pode entrar em ação, apesar de não ter o controle de braços, pernas e ações enfim, o indivíduo pode estar vendo ou ouvindo tudo que se passa e isso não quer dizer que seja “marmotagem”; isso nada mais é do que a particularidade de cada ser.
A mesma questão cultural criou-se em torno do Orixá falar ou não falar.
A questão é que, enquanto em termos de África o Orixá muitas vezes conversa normalmente, canta e pode vir de olhos abertos, aqui no Brasil o Orixá, devido a questões culturais tais como o período da escravidão e após a mesma, onde os recém libertos tiveram que cultuar em silêncio, criou-se essa condição. E o Orixá tornou-se limitado dentro da ritualística, apenas falando em rituais internos em algumas casas, apenas falando na hora de dar o Oruko (nome), na hora do seu Ilà, que vem a ser o grito ou som emitido durante o transe. Todo o período da escravidão, todo o sofrimento de um povo, fez com que houvesse essa modificação ritualística e comportamental da Divindade, onde quem se tornou a voz do Orixá, aquele que traz o recado, que conversa, que fala, seria o Erê, uma divindade criança que se manifestaria após o transe do Orixá, uma manifestação que causa muitas discussões entre alguns adeptos.
Porém em alguns outros lugares podemos observar que pessoas que possuam uma idade maior referente ao culto, ou seja, idade de santo, algumas vezes os Orixás falam, ou seja, possuem uma conversação constante e não limitada.
Conclusão:
O que podemos concluir é que a nossa religião no Brasil, possui uma grande variedade Cultural, seja na parte ritualística, seja na questão histórica. Além disso, não podemos nos esquecer de que, apesar de não termos abordado aqui tal questão, a nossa religião além de rica em sua base, em conhecimento comum, ela é rica em termos regionais, em regionalidade, apesar de alguns tentarem negar, existem sim algumas diferenças de um local para o outro, mesmo que mínimas, o que torna o Candomblé uma religião infinitamente rica, que por mais que julgamos conhecer sempre temos algo para aprender. A religião em si desde sua existência, deve ser preservadora de sua base, de sua origem, mas ao mesmo tempo deve evoluir junto com o mundo e com a sua necessidade. O comportamento humano nos dias atuais é diferente, e até a forma de fé. Não é como a anos atrás e para mantermos a religião viva, para fazer as pessoas se sentirem abraçadas pela fé, fazer esta boa manutenção da mesma, devemos adaptar a religião à evolução do mundo. Resumindo, a religião deve caminhar com a evolução sem perder a sua fundamentação.

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