OBÁ DESISTE DE VIVER E SE TORNA ORISÁ.



Irmãos eu encontrei esse itan na Nação Lukumi de Cuba, eu parei tudo que estava fazendo e traduzi do espanhol para o português, pois conhecemos poucas lendas de Obá então sempre que vejo algo dela dou total atenção a esta Yabá. É uma lenda triste...

Sango acreditou em Osun. Nem por um momento na ingenuidade de Obá.
Repudiou Obá e passou a ignorar sua presença. 
Obá sempre foi governante de Oyó na ausência de Sango, mas seus esforços não foram reconhecidos. 
Obá então manda uma mensagem pedindo ajuda ao seu pai Osalá, que ele fosse até Oyó para que ela lhe fizesse um pedido.

Na presença de Osalá, Oba se curva e então o diz:
"Orisa'Nla eu sou Y'Obba Ananí, chamada também de Obá, sou sua filha e da rainha Yemowô. 
Eu venho antes de tudo dar-lhe oferendas e Ebós em agradecimento, obrigado por tudo, eu quero lhe agradecer a felicidade que o senhor me deu nesta vida meu pai."

Depois de recitar estas palavras a seu pai Osalá, Obá começou a chorar.
O encontro do Pai com sua filha era um momente extremamente triste no reino de Oyó. 
Ele sabia que o sofrimento que sua filha estava passando pelo fracasso de seu casamento.
Osalá sabia da maldade de Osun e do efeito da sua maledicência e inveja, mas nada colocaria em dúvida o bom caráter de Obá, sua filha era alguém que nunca perdeu a bondade e somente ela teve a capacidade de ensinar e orientar os habitantes do reino como ela tinha feito. 
O incidente da mutilação de sua orelha não foi o suficiente para que sua bondade fosse destruída, mas o coração de Obá estava escuro de tanta tristeza e desolação. 
Obá nunca poderia ter confiado em Osun, mas depois de sua experiência amistosa com Oyá. ela achou que Osun também tinha um bom coração. Que erro...
Obá agora havia assumido um aspecto sombrio e misterioso desde que Sangô a deixou sozinha.
Obá começou a se queixar para Osalá, entre ela soluços e lágrimas:

"Babá mi (Meu Pai) e se eu não quiser continuar neste lugar? 
Todo mundo vai vir a conhecer a minha vergonha e minhas tristezas. Eu lhe chamei aqui para pedir-lhe para me enviar para um lugar onde ninguém vai me ver ou falar comigo. 
É aqui dentro de mim que a tristeza é nascida na terra."

Tendo terminado as suas palavras, Osalá encarando sua filha, sentiu seu coração doer. Ele teve pena ao olhar para ela e ver que não havia nada além de tristeza dentro de seu ser, não havia mais nada daquela Obá guerreira que foi o orgulho de sua família por muitos anos.
Ele então lhe diz:

Y'Obba Ananí... Obá Y'omokenkere (Obá minha filhinha) eu vejo que você não pode mais viver aqui no reino de Oyó e viver amargurada e desconfiando dos humanos por causa do mal que se esconde dentro eles. 
Não consigo pensar em um lugar adequado onde você pode encontrar a sua tranquilidade. Eu
só consigo pensar em um lugar, onde tão poucos costumam visitar e falar com aqueles que se
passaram ali, que é o verdadeiro local onde está o significado do abandono. Lá é onde seres humanos se esquecem de visitar e ao longo do tempo abandonam todos que estão lá. 
Este lugar é o Ile Iku (Cemitério).
Junto dos túmulos abandonados daqueles que já passaram para o Ará-Orun (Céu espiritual), lá tu terás paz e silêncio. 

Sem dizer uma palavra, Obá abraçou seu pai pela última vez e marchou rumo ao cemitério, onde deixaria seu corpo carnal e se tornaria um Orisá, como tantos outros de sua família. 
Obá sentiu a real dor causada pela inveja e maldade de Osun.
Mas antes de morrer ela se vingou de Osun. 
Obá agora está no Orum e sua humilhação já foi esquecida.

Obá Sire!

ORANYAN (ORANMYAN) O PAI DE SANGÔ.


Muitas casas de candomblé insistem em dizer que Sango é filho de Osalufon e isso não é verdade.
Vamos ver um pouco da família dos Orisás de Oyó:

Oduduwa é um dos maiores ancestrais para a cultura Iorubá, atribuem a ele diversos feitos prodigiosos e se contam muitas vitórias.

Oduduwá era filho de Lamurudu Rei de Mecca (Arábia Saudita) e ao descer para África fundou Ilê Ifé, que foi maior cidade Iorubá das épocas primitivas.
Sempre houve uma rivalidade dos Iorubás com os muçulmanos por conta de Oduduwa ter vindo para a Região da Nigéria fugindo dos ataques dos Malês, ataques estes que mataram o rei Lamurudu.

Oduduwa é pai de Ogun, que vem a ser seu filho mais famoso, Rei de Irê.
Fora Ogun se conta que Oduduwa era pai de outros Sete Príncipes:

* Olowú, Rei de Egbá.
* Onisabé, Rei de Savé.
* Oragun, Rei de Íla.
* Ooní, Rei de Ifé.
* Ajerô, Rei de Ijero.
* Alaketú, Rei de Ketu.

* Oranian, Rei de Oyó.

Oranyan foi pai de:
Ajaká (que era herdeiro do torno de Oyó, Sango (que foi o usurpador da coroa) e Eweká (que saiu de Oyó e se tornou substituto de Ooní no governo de Ifé).

Se conta que Ogun servia a seu pai Oduduwa e então por ordem de seu pai Ogun declarou guerra as terras de Ogotún e como espojo trouxe prisioneira uma moça chamada Lakanjê.
Ogun desejou a moça e se deitou com ela, porém Oduduwa quando a viu, a achou tão bela que se casou com ela. Para não levantar Ira de seu pai, Ogun omitiu a relação que teve com Lakanjê. Meses depois ela pariu um bebê de duas cores. De um lado do corpo ele era negro como Ogun e do outro lado albino como Oduduwa, sendo filho dos dois então.

Oduduwa fez vista grossa para o caso e batizou o caçula de seus príncipes como Oranian, o homem meio preto meio branco.

Oranian era muito guerreiro e logo fundou seu próprio reino e o batizou de Oyó, porém seu irmão Okambi governou Oyó antes de Oranian, mesmo ele tendo fundado a cidade.
Oranian se casou com a Princesa Torossi, filha de Elempé rei dos Nupês.
Torossi pariu o príncipe Sango e o criou nas terras de seu pai.

Após uma vida muito intensa, Oranian se tornou como seu pai, ou seja: uma Deidade do panteão Iorubá!

Em sua subida para o Orum, seu corpo foi lançado para o céu com tanto força que no local de sua subida ficou um poste de ledra apontando para o céu e este poste se chama o Sagrado Opá Oranian e é um monólito de rocha maciça, onde se gravaram símbolos hebraicos que se referem ao poder de Oranian. Agora este grande Rei está no Orum.(céu)

Antes de morrer Oranian colocou seu filho Eweka como Ooní de Ifé e seu filho Ajaká como segundo Alafin de Oyó.

Sango invejou Ajaká e lhe roubou a coroa, exilando Ajaká nas terras de Igboho.
Assim Sango foi Alafin de Oyó, mas por um curto período, ja que Ayrá e Ajaka conseguem derrubar Sango e remove-lo do império.
Nisso Sango se suicida, se enforcando em uma árvore.

Por descenderem dos Malês (muçulmanos), Sango e todos os descendentes de Oduduwa e Lamurudu não comem carne de porco e alguns outros Tabús dos Malês.

O reino de Oyó fundando por Oranian teve os seguintes Alafin (governantes):

Okanbi 1º Aláàfin de Oyó

Oranian 2º Aláàfin de Oyó

Dadá Ajaká - 3º Aláàfin de Oyó

Sangô - 4º Aláàfin de Oyó

Dada Ajaká (ao recuperar o trono) - 5º Aláàfin de Oyó

Aganju - 6º Aláàfin de Oyó

Kori - 7º Aláàfin de Oyó

Oluaso - 8 º Aláàfin de Oyó

E muitos outros foram comandantes deste império.


Oranian para nós é Deidade e não Orisá, ou seja: NÃO PEGA CABEÇA.



O CASO AMOROSO DE OSUN E OYÁ.


Sim é um itan HOMOAFETIVO, muitos não aceitam e não acreditam, mas não me importo. Assim como me passaram, eu passarei a diante.
Eu vou contar ele da maneira que ouvi.

Osun todos os dias ia ao rio encher sua talha com água. Um dia Osun viu uma mulher de roupas vermelhas na porta de um casebre, era Oyá. 
Oyá era linda e graciosa e então Osun decidiu conquistar ela para si.

Todos os dias Osun passava por ali com sua quartinha de água na cabeça e ao se aproximar de Oyá ela cantava e rebolava os quadris se insinuando. Oyá a principio não entendeu, mas logo se deixou levar.
Oyá e Osun se tornaram amantes.

Mas um dia Osun foi atrás de uma nova conquista e Oyá muito enciumada tentou castigar Osun, mas ela fugiu de Oyá e entrou dentro do rio e de la não saiu até hoje.

Osun e Oyá sempre estão próximas.

Asé!

Este Itan revela um caso entre duas Yabás, duas mulheres. Há um certo repúdio por lendas assim como esta, pelo povo de santo. Ha também aquela lenda onde Logun é violentado, itan que Sango tenta forçar Oxumarê a fazer sexo com ele, o itan de Oxóssi e Osayn na floresta...
As pessoas pensam que Itan é um conto de fadas, mas os Orisás foram humanos e estavam sujeitos a sentimento  humano, os que olham torto e dizem que "jamais" isso foi verdade, é porque cultua "Santos" e não Orisás.

Asé!


DADÁ.


Dadá é o irmão mais velho de Sango.

Dizem que foi Dadá Ajaká que criou Sango. Dadá era o primogênito, o herdeiro de Oyó e amava muito o pequeno Sango, mandou buscar ele no reino de Tapá e o criou como seu filho. 
Dadá mimou tanto Sango que ele ficou mesquinho e egocêntrico.

Um dia Dadá se distraiu e Sango acabou por cair dentro das brasas do fogão de lenha. Dadá se desesperou, mas quando ele parou para observar, Sango não se queimou, ele brincava com as brasas.

Dadá deu todo seu carinho a Sango, mas quando Dadá herdou o trono, Sango traiu ele, o baniu do reino e usurpou o título de Rei.
Mas Dadá perdoou Sango e por isso Sango pede que sempre que louvarem ele, louvem também a Dadá.

Dadá é um homem de bom coração, é  pacífico, ama seu povo.

DADÁ MAÀ SOKÚN MO
O FEERE ONI FEERE
O GBE L'ORUN
BABA KINI LONON AA RI
(Dadá não chore mais.
É sensível e tolerante, ele vive no
Orun, é o pai que olha por nossos
caminhos.)

Kabiesile!

ODÉ DANA DANA.


Na África a semana possuía apenas quatro dias,  o último dia era o "Ojo-Obatala", dia de Obatalá e por isso era dia de render graças ao grande Funfun, dedicavam o dia a ele.
Porém Odé queria caçar e não se importou com a tradição.
Odé era marido da Yabá Osun e ela temerosa por Odé ignorar as tradições dos Orisás foi embora com medo que algum castigo também caísse sobre ela.
Odé foi para a mata de Ifé caçar e então quando estava se aprofundando na floresta ele ouviu uma voz suave cantarolar:
"Eu não sou um passarinho para ser morto por ti..."

Odé foi atrás do som da cantoria e logo avistou a serpente Furta-Cor chamada Osumarê. Odé fincou a lança na cabeça de serpente e a levou para casa, ela seria seu jantar.
Odé exclamou: 
"Vou comer essa serpente!"

E então ecoou uma voz que disse:
"Mas eu não sou um passarinho..."

Odé ignorou os sinais e foi para casa, lá ele despedaçou, cozinhou e comeu a cobra.

Durante a madrugada Odé sentiu dores na barriga, a serpente reviveu!
Se regenerou dentro de Odé e então ela rasga as entranhas de Odé e o último som que o caçador ouve antes de morrer é a voz da Serpente Osumarê a dizer:
"Eu não sou um passarinho para ser morto por ti..."

Odé morreu.
No dia seguinte Osun foi a casa de Odé ver como ele estava e então se depara com o cadáver jogado sobre a esteira com um buraco no abdômen.
Ela se desespera e vai até Orunmilá pedir ajuda.
Orunmilá diz:
"Odé pagou o preço por ignorar as tradições, mas ha um jeito de recuperar a sua vida."

Ifá orientou Osun a fazer Ebós para pedir o perdão de Olorum e então Odé reviveu, mas como castigo ele deve zelar pela paz na floresta, pelo bem dos caçadores, pelo respeito as tradições e para sempre será próximo a serpente Osumarê e o protegerá de que façam mal a ele, como ele um dia fez.

Odé agora se chama DANA-DANA e é um ORISÁ.

Oke!

Este odé caminha com Osumarê, Osun, Oya, Osayn e Obaluaie.
Pelo fato de já ter visto a morte, ele recebeu de Oya o Arole, pó vermelho com o qual se protege do Eguns e com isso tem a permissão de entrar na floresta das Igbalé.
É um ode solitário e não é chegado a festejos.
Participa também de AXEXÊ.

Oke Aro! Odé Dana Dana!


OYÁ TOPÉ É A SENHORA DO FOGO.


Esú Iná era feito de fogo, como uma chama que nunca apagava. Tudo que ele tocava queimava e por isso vivia só. Ele desejava ter uma família e que pudesse conviver sem machucar os que dele se aproximassem. Iná nasceu no dia em que o primeiro raio bateu na terra, o seu fogo veio desse calor.
O Orisá dos Raios era Sango, então Iná foi até ele pedir ajuda para apagar seu fogo. Sango disse que nada podia fazer, mas que Iná fosse ver Orunmilá, somente Orumilá tinha resposta para tudo.
Iná foi ver Orunmilá e ele lhe disse que em Nupê havia uma feiticeira chamada Topé (o nome Topé é um termo usado para o som do eco) que sabia manipular o ar e os ventos, poderia abafar o fogo e que ele levasse dendê para ela, pois Topé ama azeite de Dendê. 
Quando Iná chegou na casa de Topé. ele teve de gritar o nome dela nove vezes, pois Topé responde no Eco, na multiplicação.

Ela então saiu e se mostrou, uma negra exuberante, com roupas vermelhas e pulseiras de cobre, Iná ficou paralisado ao ver tão bela mulher. Ele contou para ela sua situação e ela resolveu ajudar, costurou para ele uma manta de couro de búfalo e jogou sobre ele, o abafamento apagou o fogo, enquanto ele se cobrisse o fogo não reacenderia.

Iná ficou muito feliz e muito grato a Topé, ele entregou para ela o jarro com dendê. Topé abriu o jarro e então Iná lhe deu mais um presente, ele cortou um pedaço de sua pele e jogou para Topé, para que ela sempre tivesse uma chama, mas por acidente a pele flamejante de Iná caiu no jarro de dendê e isso causou uma explosão de fogo que se misturou ao Asé de Oyá Topé e nisso a pele de Esú Iná, o dendê e o fogo se tornaram parte dela, ela se transformou em uma labareda, uma chama viva, seu interior é puro fogo.

HEPA HEEEEEEEEY OYÁ TOPÉ!

OBÁ.



A filha de Obatalá, Y'Obba Ananní era conhecida também como Obá a esposa de Ogun, o Bárbaro. Obá era casada com Ogun, desde que ele a venceu em batalha e praticamente a obrigou a ser dele.
Mas Obá não gostava de Ogun e essa falta de amor a fez ir embora, ela fugiu para Ifé.
 
Um dia Obá conheceu Odé, ele que seria um dia o grande Oxóssi Rei de Ifé, nessa época ainda era um pobre caçador.
Odé estava parado descansando sob a sombra  da copa de uma árvore e então ouviu um barulho, um tropelo! 
Ele se levantou para ver que estardalhaço era aquele e viu uma mulher correndo atrás de um cervo. Ele sorriu ao ver aquela cena, como uma mulher poderia correr atrás de um cervo e acreditar que poderia alcança-lo? Mas Obá corria o máximo que podia.
Odé então resolveu ajudar, já que Obá caçava com muita dificuldade o seu sustento, pois não possuía boa técnica de caça. Odé a ensinou a caçar com lança e Ofá e Obá ensinou Odé a arte de lutar a curta distância, o ensinando a habilidade da espada e do escudo.
Odé e Obá não tinham desejos carnais um pelo outro, mas entre eles aconteceu um dos mais belos sentimentos, a verdadeira amizade. 
A amizade real é sim uma forma de amor.
Eles se respeitavam e tinham um forte sentimento de irmandade, lealdade e cumplicidade e por isso resolveram viver juntos. Eram como irmãos, sempre juntos, sempre mergulhados em risadas e sorrisos.

Porém, por onde Obá passava o povo dizia: Lá vai a esposa do caçador!
Mas Obá não se importava com o falatório do aldeões e Odé menos ainda. Eles gostavam de viver juntos.
Por muito tempo eles foram uma dupla, mas um dia Obá conheceu Sango e então ela sentiu que seu coração havia escolhido aquele homem para amar e ela teve de deixar Odé e ir atrás de seu amor.

Sempre que Odé e Obá se reencontram, eles se abraçam e festejam as boas lembranças que guardam um do outro, uma grande amizade sobrevive até aos milênios.


Asé!


"Na maioria das lendas, Obá é vista como uma mulher amargurada, possessiva e mesquinha, mas ela não é assim. A questão foi que o casamento com Sango fez muito mal a ela e por viver situações tensas demais ela se fechou. Mas antes disso ela sempre foi muito alegre, rodeada de amigos, era uma mulher festeira que gostava de se divertir."

Obá é bem vinda pois trás alegria para a casa.
"Oba oyin o"
(Obá é doce como o mel)

Okê Odé!
Obá Sire!


IROKO.


IROKO SOBREVIVE A GUERRA ENTRE ORUN E AYÊ ONILÉ.


Antes de existirem as grandes aldeias, a árvore Iroko já existia.
No início dos tempos, o Orun (céu) e o Aye (terra) tiveram uma discussão. Ayê argumentou que ela era mais velha e mais poderosa do que seu irmão, o Orun e se pronunciou:

"Eu sou a base de tudo. Sem mim, o céu de Orun seria esmagado porque não teria apoio. Eu construí todos os seres vivos. Eu sou a mãe que os  alimenta e sustenta. Eu sou a dona de tudo. Tudo o que tem vida vem de mim e volta para mim. Meu poder não tem limites. "

Olodumaré, o grande Deus ouviu aquelas palavras mas não respondeu. Fez então um sinal para o Orun, o liberando para demonstrar um sinal grave de sua força.

Orun então gritou: "
"Ayê Onilé aprenderá uma lição, seu castigo será tão forte quanto sua arrogância e seu orgulho."

A árvore Iroko estava preocupado com as consequências daquela batalha e começou a meditar no profundo silêncio que se seguiu após o céu se calar.
Iroko tinha suas raízes profundamente enterradas em Ayê Onilé, mas seus longos galhos se estendiam para abraçar o céu. Iroko havia entendido que a harmonia tinha desaparecido e que o mundo sofreria as dores do desaparecimento da paz.

Orun sempre  protegeu Ayê, ele moderava o calor dividindo o tempo em dia e noite, ele secava a terra com o sol, depois a molhava como a chuva e a repousava com a lua, sempre dosando o frio e o calor, o vento e a brisa. Tudo que Orun fazia trazia benefícios para Ayê Onilé.

Antes dessa guerra a vida era feliz e a morte vinha sem dor. Tudo pertencia a todos e ninguém queria governar ou dividir, conquistar ou reivindicar quaisquer posições. 
Mas a indisposição da terra para com o céu mudou tudo.

Orun parou de ajudar Ayê.
Não choveu, o sol sem piedade queimou tudo e a lua não mais trouxe  luz para a noite. Isso começou o tempo de sofrimento e feiura sobre o terra. 
A Noite de angústia e medo apareceu. Então todas as formas de miséria, seguido. Toda a vegetação desapareceu e só Iroko permaneceu verde e saudável, porque desde tempos imemoriais ele tinha permanecido reverente e dado graças ao céu.
Iroko deu instruções para aqueles que querem descobrir os segredos e os Arayê (humanos) se reuniram em suas raízes, em seguida, eles reconheceram a magnitude das suas ofensas e se sentiram humilhados e se purificaram no pé da árvore Sagrada. 
Iroko ensinou a rezar e fazer sacrifícios para o Orun e para Olodumaré.
Muitos mensageiros foram enviados para o céu, mas ninguém jamais poderia alcançá-lo, apenas os galhos de Iroko tocavam Orun e ele então poderia transmitir as orações das pessoas para o céu. 
Vendo a contrição dos homens e mulheres em reconhecer o seu valor, Orun estava emocionado e agradecido e então chuva voltou a cair sobre a terra.

O que permaneceu vivo sobre a terra foi salvo graças ao abrigo oferecido por Iroko. E então tudo ficou verde novamente. 
No entanto, não havia mais paz e felicidade plena como no início do mundo. 
O Orun não estava mais magoado mas manteve-se indiferente e distante. 
Iroko salvou a terra, mas a vida não é mais plenamente feliz por causa da culpa de orgulho de Ayê Onilé.

Eró Iroko!
Rei das Árvore e dos homens!

Toda a memória e sabedoria do mundo está em Iroko.
Ele tudo viu, ele tudo ouviu e de tudo ele é testemunha.

ORUNMILÁ E SANGO TEM INVEJA DE OSAYN.


Sango foi o primeiro discípulo de Orunmilá. Foi ele o primeiro a saber adivinhar Ifá.

Então Orunmilá, Obatalá e Sango sabiam ler o destino.

Em Iraó também havia um homem poderoso que não rendia homenagens a Orunmilá e seus discípulos, seu nome era Osayn. 
Osayn era mais sábio e mais poderoso que Orunmilá, ele era chamado "Oní Isegùn" o grande médico, sabia de todo o poder da floresta e sabia ler as estrelas e as nuvens, era um grande feiticeiro que era reverenciado por reis e rainhas.

Orunmilá não aceitava isso, que Osayn fosse mais sábio que ele e então pediu a Sango que destruísse Osayn.

Osayn sentiu que estava em perigo, mas saber quem o ameaçava estava indefeso.

Um dia Osayn subiu a montanha de Iraó para colher ervas e então Sango atirou raios nesta direção. 
Osayn foi atingido, perdeu uma perna, um braço e feriu um olho.

Ao olhar para o céu ele viu Sango e então descobriu em fim quem eram seus inimigos.

Osayn se recuperou, hoje é perfeito, tem todos os membros, mas dança pulando em um pé só, para lembrar a covardia que fizeram com ele.

Sango e Orunmilá não conseguiram matar Osayn.

Osayn é o dono das Folhas e das ervas.

Ewe! 

ESÚ COME A PRÓPRIA MÃE.


Olodumare criou o espírito de Esu de uma bolha de ar, Esú é a esfera da vida.
Orunmilá queria muito ter um filho e sabendo que Olodumare e Obatalá ja haviam criado um espírito, ele foi casa dos Funfuns e pediu para que lhe dessem aquele espírito para ser seu filho.
Como Obatalá não sabia o caráter de Esú, ele pediu  que Orunmilá voltasse em um mês, pois tudo ali estava ainda em fase experimental.

Inconformado, Orunmilá insistiu tanto que Obatalá resolveu atender à sua vontade, orientando-o para que pusesse as mãos sobre a cabeça de Esú e que, voltando para casa, fizesse sexo com sua mulher.
Tudo foi feito de acordo com a orientação de Obatalá e doze meses depois, Yebìirú, mulher de Orunmilá, deu à luz um filho do sexo masculino. Obatalá dissera que a criança seria Elegbára (Senhor do Poder), Orunmilá resolveu chamá-lo de Elégbára. Logo que seu pai pronunciou seu nome, a criança começou a chorar e a dizer:

"Iyá, iyá, ng o je eku"
(Mãe, mãe, eu quero comer uma preá).

Ouvindo os apelos de seu filho, Yebìirú respondeu disse para o Bebê:
"Omo naa jeé! Omo l'okùn! Omo ni
de! Omo ni jìngìndìnrìngìn! A mu se yì, mù s'òrun!"
(Filho, come, come! Um filho é como contas de coral vermelho! Um filho é como cobre! Um filho é como uma alegria inextinguível! Uma honra apresentável, que nos representará depois da morte!)

Porém a preá não foi o suficiente, Esu comeu tudo, devorou todos os quadrúpedes, aves e peixes e não tendo mais nenhum animal sobre a face da terra, comeu a própria mãe.

Assustado com o ocorrido, Orunmilá consultou o oráculo e lhe foi recomendado fazer um ebó composto de uma espada, um bode e quatorze mil Kawuri (Búzios). Feita a oferenda, Orunmilá aproximou-se de Esu, que não parava de chorar e de gritar:

"Bàbá, bàbá, ng ò je ó ó! " 
(Pai, pai, eu quero te comer!)

Orunmilá, então, cantou a canção da mãe de Esú e quando este se aproximou para devorá-lo, atacou-o com a espada do ebó e Esú vomitou Yebìirú. Nisso ele foi então cortado em duzentos pedaços e cada pedaço transformava-se num novo yanguí, num novo Esú. A perseguição se estendeu pelos nove oruns e em cada um deles, Exu era seccionado em duzentas partes e cada uma delas se transformava num novo Esú. No último orun, depois de ser novamente retalhado, Esú propôs um pacto a Orunmilá: 
Cada Yanguí seria uma representação sua e Orunmilá poderia consultá-los e mandá-los executar trabalhos sempre que fosse necessário.
Orunmilá, então, perguntou-lhe por tudo o que havia devorado, inclusive sua mãe, e Esu
respondeu:

"Òrúnmìlá kí o maa kési oun bí ó bá féé gba gbogbo àwon nkan bi eran ati eye tí òun ó máà ràn án lówó láti gbà padà fún láti owo àwon Omo aràyé”. 
(Orunmilá deveria chamá-lo se ele queria recuperar a todos e cada um dos animais e das aves que ele tinha comido sobre a terra; Esú os assistiriam para reavê-los nas mãos dos seres humanos).

E então tudo que Esú comeu foi reavido. Mas Esú ainda tem fome, por isso ele come de tudo.

Orisá Esú é subdividido em incontáveis partes, caminhos. Todos os seres humanos, animais e vegetais, assim como os próprios Orisás possuem os Esús individuais, que os acompanham.

Laroye!!!