OSUN ABAÊ, DONA DA HONESTIDADE.


Esta é uma Osun jovem.
Abaê não é ligada a Oloroke nem a família real de Ekiti, ela na verdade se apresenta como filha de Yemonja e Orunmilá e ao contrário das demais Osuns, ela não é gananciosa ou materialista, sua base é a simplicidade.

Conta-se que Yemonja foi esposa de Orunmilá, mas um dia ela precisou voltar para o mar e ficar com sua mãe Olokun.
Yemonja havia dado a luz a uma menina e de herança ela dividiu seu reino e deu metade a sua filha, as águas doces não eram mais de Yemonja e sim de Osun Abaê.

Abaê foi deixada sozinha na casa de Orunmila, mas ele não criou a menina, ela lhe fazia lembrar de Yemonja e então ele partiu e deixou para trás a pequena garota sozinha, deixando para ela apenas a singela casa na beira do rio.
Abaê não sabia que era dona daquele rio, ela então desde muito nova começou a trabalhar como lavadeira, lavando roupas no rio em troca de poucas moedas. Abaê então engravidou e teve um lindo bebê, mas ela era pobre e mãe solteira e não tinha ninguém por ela.

Um dia ela só tinha uma moeda para comprar comida e esta moeda caiu no rio. Abaê se desesperou, seu filho precisava comer e ela sabia que não lhe venderiam nada sem que ela pagasse. Ela então se jogou no rio e foi seguindo seu curso das águas, extremamente desesperada, pois ela precisava recuperar sua moeda. O desespero foi tanto que ela nem percebeu que respirava sob a água como se fosse um peixe. O rio desaguou no mar e então Abaê olhou no fundo do mar e viu um enorme palácio e duas belas mulheres na porta, a mais jovem das mulheres acenava para Abaê para que ela fosse até ela.
Abaê então se direcionou para onde estavam as duas e as saudou e se apresentou como "Lavadeira Abaê". As duas mulheres cheias de Jóias se apresentaram, a mais velha que se vestia de azul marinho disse se chamar Olokun e a mais nova que se vestia de branco disse se chamar Yemonja. Abaê então perguntou a elas se tinham visto sua moeda e Yemonja lhe disse: Procure dentro do meu palácio.
Abaê entrou no palácio e lá viu todo tipo de riquezas, ouro e prata em grandes quantidades. Abaê então avistou no meio das riquezas a sua moeda. Yemonja lhe disse, pode levar tudo que quiser, mas Abaê respondeu: Muito Obrigada, mas só levarei daqui aquilo que me pertence.

Abismada com a honestidade de Abaê, Olokun lhe disse: Então levará tudo, pois tudo aqui é seu, pois você é a dona desta casa.

Abaê então soube de sua história e se tornou uma Yabá das águas. Ainda assim dizem que é possível ouvir Abaê batendo as roupas nas pedras da margem do rio Osun.

Abaê nunca mais passou fome e provou que é possível passar pela pobreza sem perder a dignidade.

A aparência de Abaê é de uma moça "gordinha" e de baixa estatura, com mãos marcadas de trabalho árduo.
Abaê ama seus filhos mais que tudo!

Seu Ibá é muito parecido ao de Yemonja, pois ela caminha com Yemonja e Olokun, por isso não se pode negar a ela uma pata branca em seu Orô.

Abaê gosta muito de cantar e quando ela canta uma cantiga na beira do rio, lá nos rochedos do mar Yemonja responde a cantiga.

Abaê é uma Osun simples e muito próspera.
Se veste de tons de amarelo claro ou branco, seu abebé é uma concha que simboliza sua aliança com as Yabás do mar.


Ora Yeye!

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