YEWÁ & YEMONJA ASESUN.


Sabemos que na Nigéria as aldeias de culto a Yewá são muito próximas as de culto a Yemonja Asesun, então o povo Lukumi conta esta lenda:

Yemonja Asesun e Yewá sempre andavam juntas. Eram jovens e bonitas, saiam pelo mundo em mil peripécias. Certe vez Yemonja construiu um barco e chamou Yewá para ir com ela pelo mar e Yewá aceitou sem titubear.

Elas então roubaram favas (Guacalotes) de Oxóssi, saíram mundo a fora abrindo Alafia e prevendo o futuro com as favas. 
Porém nem Orunmila ou Oxóssi haviam permitido isso.
Yewá e Yemonja eram belíssimas e por isso abusavam do coração dos homens, jogavam as favas para eles e eles ao se encantarem pela beleza delas não se davam conta que elas tomavam posse de seu dinheiro e depois fugiam.

Com isso as duas ficaram muito ricas e poderosas. Elas sempre se justificavam dizendo que eram da parte de Esú, mas este tão pouco sabia dos feitos das Yabás.

Sempre que as favas acabavam, elas iam para a terra de Omó Ayó e pegavam mais, pois nesta aldeia litorânea é que se cultivavam as favas.

O povo de Omó Ayó não estava nada feliz com Yemonja e Yewá, a riqueza da aldeia vinha das favas e elas não estavam respeitando as sagradas favas de Oxóssi.
Em Omó Ayó se cultivavam favas de todas as cores e o povo valorizavam muito as favas Guacalotes.

Na aldeia vivia um filho de Orunmilá chamado Awó Alayó Ota e este era bem quisto por todos pois graças aos conselhos dele que a aldeia era tão prospera.

O povo de Omó Ayó se reuniu na casa de Awó Alayó Ota e pediu que ele tomasse uma providência para dar um basta no desrespeito de Yemonja e de Yewa pelas favas sagradas.

Awó Alayó Ota consultou Ifá e então disse que esperassem, pois as duas em breve atracariam o barco no porto de Omó Ayó e então o povo tomaria suas providências. 
Quando as Yabas chegaram, o povo ofereceu as duas um grande banquete com muita comida. Enquanto elas comiam, o povo de Omó Ayó usou o barco de Yemonja e foram em todos os lugares onde elas haviam estado, apanharam os homens que elas enganaram e levaram para a aldeia, para a casa de Awó Alayó Ota.

Todos estes homens que havia sido enganados foram feitos Babalawos pelas mãos do filho de Orunmilá e então ja não haviam homens enganados naquelas terras.

Parecia que tudo estava resolvido, mas estes acontecimentos chegaram aos ouvidos de Esú!
Esú se sentiu desrespeitado e com isso sua ira respingou na aldeia, as pessoas de Omó Ayó ficaram perturbadas e a nada mais dava certo.

Awó Alayó Ota então disse a Yemonja e a Yewa que deviam desculpas a Esú, afinal ele é mensageiro de Olorum e elas haviam usado as favas e usado o nome de Esu sem respeito algum.

Elas então novamente pegaram o barco de Yemonja e foram para as terras de Esú.
Elas ao se aproximar das terras de Oni Okun começaram a cantar:
"ELEGBARA MOTA BI AYE OMO AYÓ SOKUN. IRÉ ALAYÓ YEWÁ ALAYONIFA ASESÚ MOKI OTA".
Esú quando as ouviu, subiu no barco e então elas diante dele cantaram:
"YEWÁ YEWÁ OMO ATO YEWÁ. YEWÁ YEWÁ OYO ELESE YEWÁ… OMO AYÓ ASESÚ".

Esú se acalmou e as agradeceu muito, ficou tranquilo e foi com elas para a terra de Omó Ayó.
Chegando lá Awó Alayó Ota fez a Esu cerimonias de Ifá e a ele rendeu muitas oferendas.

Desde então Yemonja, Yewa, Esú e Awó Alayó Ota recebem homenagens e oferendas e as favas de Oxóssi para sempre estarão junto a Ifá pois com ela se podem ver mensagens do Orum na terra.
 Esú para sempre estará ao lado de Ifá.

As favas são sagradas para todos os Orisás.
Asé!

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