ERÊ.


Erê é o intermediário entre a pessoa e seu Orisá, é o aflorar da criança que cada um guarda dentro de si; reside no ponto exato entre a consciência da pessoa e a inconsciência do Orisá. 
É por meio do Erê que o Orisá expressa sua vontade, que o noviço aprende as coisas fundamentais do candomblé, como as danças e os ritos específicos de seu Orisá.
A palavra Erê vem do Iorubá, significa "brincar". 
O Erê (não confundir com criança que em Iorubá é omodé) aparece instantaneamente logo após o transe do Orisá, ou seja, o Erê é o intermediário entre o iniciado e o Orisá. 
Durante o ritual de iniciação, o Erê é de suma importância pois é o Erê que muitas das vezes trará várias mensagens do Orisá do recém-iniciado.
O Erê é às vezes confundido com ibeji(OS GÊMEOS), que na verdade é a inconsciência do novo Omó-orisá, pois o Erê é o responsável por muita coisa e ritos passados durante o período de reclusão. 
O Erê conhece todas as preocupações do iyawo, também, aí chamado de omon-tú ou “criança-nova”. O comportamento do iniciado em estado de "Erê" é mais influenciado por certos aspectos de sua personalidade, que pelo caráter rígido e convencional atribuído a seu Orisá. Após o ritual do oruko, ou seja, nome de iyawo segue-se um novo ritual, ou o reaprendizado das coisas chamado Apanan.(Poucas casas seguem o rito)
No Candomblé acredita-se que os Erês são crianças que foram geradas no ventre de mães e que por doenças ou algum motivo não chegaram a viver entre os humanos na terra.
Cada Erê tem um nome inspirado na natureza do Orisá, Mais esse nome não é o mesmo para todos os iniciados, eles podem chamar-se por exemplo: FOGUETE ou TROVÃOZINHO para os de Sango, ESTRELINHA, CONCHINHA para os de Yemojá, PRATEADO, PINGO DE PRATA para os de Osalá, PINGO DE OURO, para os de Osun e assim vai...
Comem comida de Orisás, Caruru, bolos, balas, frutas e bebem água, chá de ervas, sucos de frutas, como uma criança comum. Dormem, acordam, tomam banho... 
ERÊ MI!

OS ESPELHOS GUARDIÕES DE YEMOJÁ.


Yemojá é a Deusa das águas e dos mares. 
Um dia um reino resolve declarar guerra a Yemojá, sabendo que ela não tinha guardas que a protegiam.

Depois de muito pensar no que deveria fazer para se proteger e vencer a batalha, Yemojá resolve colocar espelhos de todas as formas na Beira do mar.

Quando chega a hora da batalha, Yemojá vai para a frente dos espelhos com uma espada em punho e quando seus inimigos chegam perto assustam-se com as suas próprias imagens distorcidas refletidas nos espelhos e fogem apavorados, contando ao Rei que Yemojá não é sozinha como haviam pensado, mas possui um exército de criaturas horríveis. 

É assim que Yemojá vence, sozinha, mostrando a imagem de seus inimigos a eles próprios. 

Yemojá é muito inteligente, senhora de uma beleza e majestade sem igual.

OBÁ É ENGANADA POR AMOR.


Mais tarde, Obá tornou-se a terceira mulher de Sangô, pois ela era forte e corajosa. A primeira mulher de Sangô foi Oiá-Iansã que era bela e fascinante. A segunda foi Osun, que era coquete e vaidosa. 
Uma rivalidade logo se estabeleceu entre Obá e Osun. Ambas disputavam a preferência do amor de Sangô. 
Obá procurava, sempre, surpreender o segredo das receitas utilizadas por Osun quando esta preparava as refeições de Sangô. Esta era jovem e elegante, Obá era mais velha e usava roupas fora de moda. Nem chegava a se dar conta disto, pois pretendia monopolizar o amor de Sango. 
Com este objetivo, sabendo o quanto Sango era guloso, procurava surpreender os segredos das receitas na cozinha, utilizadas por Osun quando preparava as comidas do Rei. Osun irritada, decidiu pregar-lhe uma peça.
Um belo dia pediu-lhe que viesse assistir um pouco mais tarde a preparação de um determinado prato, que segundo ela disse maliciosamente, realizava maravilhas junto a Sango, o esposo comum. Obá apareceu na hora indicada.
Osun tendo a cabeça atada por um pano que lhe escondia as orelhas, cozinhava uma sopa, na qual boiava dois cogumelos. Osun mostrou-os a sua rival, dizendo-lhe que havia cortado as próprias orelhas e colocando-as para ferver na panela, a fim de preparar o prato predileto de Sango. Este chegando logo depois tomou a sopa com apetite e deleite e retirou-se gentil e apressado na companhia de Osun.
Na semana seguinte era a vez de Obá cuidar de Sango e ela decidiu por em prática a receita maravilhosa. Cortou uma das orelhas e a cozinhou em uma sopa destinada a seu marido. Este não demonstrou nenhum prazer em vê-la com a orelha decepada e achou repugnante o prato que lhe serviu. 
Osun apareceu neste momento, retirou seu lenço e mostrou que as suas orelhas jamais haviam sido cortadas, nem devoradas, por Sango. Começou então a caçoar da pobre Obá, que, furiosa, precipitou-se sobre sua rival. 
Seguiu-se uma luta corporal entre elas. Sango, irritado, fez explodir seu furor. Osun e Obá, apavoradas, fugiram e transformaram-se nos rios que levam seus nomes. No lugar da confluência dos dois cursos de água as ondas tornam-se muito agitadas em consequência da disputa das duas divindades pelo amor de Sango.

OBÁ IXI!

ENI (ESTEIRA)


Esteira, Decisa, Eni, Enin, Adicissa, são nomes pertinentes a peça de artesanato, feita de vários materiais: Táboa(planta), sisal, palha, etc...
Muito usada no nordeste do Brasil e em terreiros Afro-brasileiros.

Objeto sagrado, muito importante para o povo do Candomblé, fazendo parte de quase todos os rituais como:

Mesa de oferendas e comidas ritualísticas dos iniciados ou não.
Mesa de ebós e comidas de Orixás prontos.
Amparo durante os Pawós dos iniciados.
Suporte para ervas, durante a Sassanha(sasayn)
Cama do Yawô, onde por baixo dela são feitos os ERÓS(segredos)da feitura.
Mesa, sendo base para comidas de ajeun do Yawô.
Como mesa e cama no ritual BORI. Etc...


PORQUE DORMIR NA ESTEIRA?
o Candomblé tem a crença de que os próprios Orisás viveram por algum tempo na Terra. Naquela época onde a humanidade ainda dava seus primeiros passos há milhares de anos, a vida era muito mais ligada a natureza e com menos conforto do que experimentamos hoje em dia.

Os iniciados que ainda estão de preceito, devem por estar com o Orisá próximo a eles durante esse período, imitar alguns dos costumes que os próprios Orisás tinhas, quando em sua passagem terrena: Dormir em esteiras, comer com as mãos e não se secar após o banho, entre outros.
O Luxo de uma cama, um conforto melhor, deve ser deixado para trás, durante rituais com Orisás, Pois bem sabemos, nascemos novamente, com as características dos nossos Orisás.

Dormir na esteira representa o retorno ao principio da vida, o reencontro com a ancestralidade. Dormimos na esteira para ter contato com o elemento que nos deu a vida: A Terra!
Também porque precisamos esquecer a vaidade, as futilidades e os confortos modernos, estamos renascendo e precisamos fazer isso de forma humilde.

Existe algumas considerações importantes sobre como manusear a esteira, dentre elas cito algumas:
- Pessoas de Orisá masculino carregam a esteira apoiada sobre o ombro direito.
- Pessoas de Orisá feminino carregam a esteira debaixo do braço.
- Pessoas iniciadas, homens ou mulheres, de Orisá masculino, não levantam a esteira do chão.( GERA ATÉ DISCUSSÕES rs)

Eni ou Enin, usadas no Útero de uma casa de Candomblé, geralmente são ofertados à Yemoja ou Osun, no ritual Afexu. 

Asé


RITUAL DA KURA.


O ritual da Kura ou fechamento de corpo praticado em muitos candomblés na Sexta Feira da Paixão, que é uma data que os católicos dedicam à memória da crucificação de Jesus Cristo, tem origem nas mais antigas práticas bantos de calundus (formações religiosas anteriores à formação do candomblé modelado pelo Ketu na Bahia).


A “cura” é uma denominação para a “cruza ou cruz”, sinal recebido dos mercadores e traficantes de escravos para marcá-lo e distinguí-lo dentro de um grande número de indivíduos, principalmente assim agiam os mercadores e traficantes espanhóis, portugueses e brasileiros (muitos referidos ao longo da História como sendo portugueses). Tal símbolo era marcado nos braços, peito, costas dos escravos de forma a marcá-lo com sendo já batizados e portanto que já haviam recebido o nome pelo qual deviam ser conhecidos doravante, só então depois eram conduzidos ao Brasil em navios negreiros. Tal flagelo atendia a grandes encomendas de escravos principalmente para o árduo trabalho da lavoura no Ciclo da cana de açúcar.

Em fongbè (Língua Fon) a cruz é denominada kluzú (pronunciando-se curuzú, que dá nome a uma localidade em Salvador, Bahia). Para o indivíduo banto de forma geral e principalmente no Brasil ficou entendida como KURA. Também no Brasil muitos índios entenderam o símbolo da cruz como curuçá ou cruçá a partir dos Jesuítas, passando assim a denominá-la.

O segredo do fechamento de corpo no ritual da kura está no que lhe é passado depois da marcação do sinal e o que é rezado naquele momento, diferindo os ingredientes passados e ingeridos e as rezas de acordo com o Candomblé.

Durante o primeiro processo de iniciação, são diversos os rituais que têm lugar, e pelos quais os Yawôs têm que passar para poderem receber o seu Orisá de forma íntegra.
São tomados diversos cuidados para que o iniciado possa de fato, dali para a frente estar munido do conhecimento necessário, mas também de defesas necessárias, uma vez que vai nascer para a sua “nova vida”.
Não se trata só de munir e proteger o espírito das defesas necessárias, mas também o seu corpo físico e nesse âmbito, são feitas as chamadas Kuras.

As Curas são incisões feitas no corpo do Yawô, que por um lado representam o símbolo de cada tribo, como o símbolo de cada Ilê (casa de Candomblé), mas têm o objetivo de fechar o corpo do Yawô, protegendo-o de todo o tipo de influência negativas.
Para isso são feitas as incisões (o que chamamos de abrir) e nessas incisões é colocado o Atim (pó) de defesa para aquele Yawô (iniciado). O Atim tem uma composição base de diversas plantas e substâncias, mas o Atim utilizado para as Kuras, contêm também as ervas do Orisá daquele Yawô em quem ele vai ser aplicado.

Sabemos que em algumas casas a Kura pode também ser tomada como infusão de ervas, porém na maioria das Casas de Candomblé, as Kuras, que são de origem Africana, são feitas como incisões ou cortes e nesse cortes são colocados pequenos punhados de Atim, para que esse Atim penetre no corpo e o proteja de males exteriores enviados contra a pessoa.

Normalmente, as Kuras são feitas no peito, dos dois lados, nas costas, também dos dois lados e nos braços, evitando assim que de frente, de costas ou no manuseio de qualquer coisa algo negativo possa entrar no corpo do Yawô.
É comum também fazer-se na sola dos pés para evitar que o pisar de algo negativo possa interferir com o Yawô, havendo ainda, alguns zeladores que fazem uma Kura na língua dos seus Yawôs, para que os mesmos não comam comidas “trabalhadas” e caso as comam, para que essas comidas não lhe façam mal.

Existem muitos sacerdotes que deixaram de seguir a tradição citada anteriormente, no entanto passam uma combinação de folhas no corpo do iniciado, como se estivessem de fato fazendo as pequenas incisões. Diz-se que o resultado é o mesmo.

Quando o Candomblé foi organizado aqui no Brasil, ficou estabelecido que os dias de óssé wè mó ( ato de limpar e ofertar alimentos aos Orisás) teria que se adaptar ao sistema ocidental de sete dias pois, na África, a semana Iorubá era composta de quatro dias devido a crença de que o mundo havia sido criado neste espaço de tempo.
Todas as casas de Candomblé dedicam as sextas-feiras ao Orisá da paz, Senhor da criação, considerado pai de todos os outros Orisás. É comum neste dia todos os adeptos do Candomblé usarem o branco, a cor deste Orisá. Como descreve esta saudação: "Òrìsànlá Olúwa èwù ni funfun" (O Grande Òrisá dono do manto branco).

A sexta-feira santa é uma data Cristã que lembra o sofrimento de Jesus Cristo. Para o Candomblé este dia continua sendo consagrado a Osalá.
Nos Candomblés, na sexta-feira santa é feito o ritual da "Kura" com o objetivo de proteger-lhes contra doenças, roubos e todos os tipos de negatividades, daí ser chamada de "fechamento de corpo".













ORISÁ IKÚ.


Ikú, a morte é um Orisá designado por Olodumare para uma função derradeira. Existem e são raríssimas, pessoas de Ikú que evidentemente, não são iniciadas, cumprem normalmente seu destino e tem funções específicas num Ilê Asé.
Oyekú Mejí é primeiro caminho à terra, quando o Odú Oyekú Mejí chegou à Terra, a morte ainda não existia. Orisá Ikú (morte) nasce nesse caminho para cumprir sua função na Terra, Opirá. (FIM).
Oyekú Meji representa essencialmente a Morte, a profunda escuridão, representa também o lado esquerdo, o este e o princípio feminino.
Ikú vem buscar a pessoa no dia derradeiro e esteja nas condições que estiver, para levá-la de volta ao interior da terra, ao ventre de Nanã.
Ikú cumpre rigorosamente sua função e somente aqueles que conhecem os Omos-Odús de Oyekú Mejí, poderá conversar com a morte e por um breve tempo. Somente através do Imolé Esú e num determinado Odú é que se faz oferendas a Ikú, estabelecendo pactos e acordos com Ikú para adiar e afastar a morte, aliado aos bons ebós.
A troca pela vida, através de oferendas, é o ponto central do culto aos Orisás, a vida nada mais é que a mais valiosa de todas as trocas e também a mais cara.
As trocas não são eternas, chegará o dia que Ikú terá que cumprir sua função e ainda exigirá oferendas, para garantir que só levará apenas um. 
Há casos famosos de zeladores que depois de mortos, Ikú voltou algumas vezes para cobrar sua oferenda e não encontrando levava seus filhos, acabando muitas vezes, com a casa de candomblé.
Ikú antigamente só levava a morte os que Olodumare ordenava, mas depois de um fato em sua existência, Iku se tornou cruel e odioso. O Odú Oyekú Méji conta porque a morte passou a ser cruel como os humanos:
Ikú era o Orisá do fim e só fazia o que Olodumare ordenava. Por um engano, uma injustiça a mãe de Ikú foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. 
Ikú ouviu e gritou alto, enfurecido! Assassinaram a mãe de Ikú! 
Iku fez do elefante a esposa de seu cavalo. 
Iku fez do búfalo sua corda. 
Ikú fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para a luta. 
Ikú batalhou contra os humanos e matava quantos podia e matava sem piedade, mas uma vez perdeu a luta. 
Ikú foi subjugado e seus inimigos o obrigaram a comer tudo o que era proibido comer, segundo o conceito do èwò. 
Os inimigos de Ikú foram a sua casa e chamaram Olójòngbòdú, a mulher de Ikú. Olójòngbòdú foi chamada cedo, pela manhã e os inimigos perguntaram o que seu marido não podia comer, o que ele tinha como èwò. Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ratos.
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comece ratos. Ela disse que as mãos de Ikú tremeriam sem parar. 
Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer peixe. 
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse o peixe. Ela disse que os pés de Ikú tremeriam sem parar. 
Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ovo de pata. 
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ovo de pata. Ela disse que Ikú vomitaria sem parar. 
Os inimigos de Ikú o obrigaram a comer todos os alimentos proibidos, isso o enfraqueceu e o impediu de matar sem qualquer critério, ou seja, a morte foi subjugada apenas depois que seus inimigos conseguiram que ele comesse o que era proibido comer. 
Ikú não deixou de ter ódio pelos humanos e passou a comandar aos Ajogún ou guerreiros do mal: Aro, Ofo, Ejó, Egba, Fifitiwó, Akobá, entre outros. 
Ikú passou por grandes tristezas. Ikú é apaziguado, mas não é iniciado. 
Ikú é intimamente ligado a Nanã, Obaluaye, Ogun e Oyá, também a Egun e a Iyamí. 
Ikú se veste de preto. É um Orisá que deve ser respeitado, pois todos o encontraremos um dia.
Com Ikú não se brinca, quando Ikú chega, o nosso Orisá não está mais conosco, sabe que já cumpriu sua função e somente Orí acompanha a pessoa até o fim.
Asé!



EJÁ(PEIXE).



O peixe(EJÁ) é visto como símbolo da fecundidade e fraternidade no Candomblé.
Representa o pão de cada dia, a manutenção da alimentação.

É ligado a vários Orisás: Yemonjá, Osun, Osalufan, Osagyan, Logun-Edé e todos os Orisás ligados a água e a pesca.

O peixe é o próprio espírito das águas, sendo que esta representa o fluído vital, o fluxo de informações e conhecimento espiritual e material. Por isso também representa a sabedoria repassada pela descendência.

O peixe sonda os abismos, vai a lugares profundos e também à superfície das águas, por isso ele detém o conhecimento da busca da espiritualidade.

O peixe representa as potencialidades individuais de cada um, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho( por isso usamos no Borí, para que tenhamos nossa liberdade das nossas escolhas, caminhos.)

O peixe é a comida em vários pratos e oferendas de Orisá, entra no Bori e na feitura de Yemonjá que é a mãe dos filhos peixes.

O peixe equilibra e acalma o Orí, devido à seu sangue frio.

Entra em ebós AJÉS, de Odús e Orisás.
Adorna roupas, paramentos, igbás. Vai em ATINS(pó), entre tantas outras utilidades.

Segundo as tradições antigas, é proibido o uso e alimentação dos peixes de couro, pois estes vivem enterrados na lama e no lodo e não trazem boas energias ao povo do Candomblé e seu ejé não é puro.

Na maioria das casas de Candomblé o EWÓ(proibição) de Yemonjá é se alimentar de peixes e frutos do mar, pois esta estaria se alimentando dos próprios filhos.



OSUN NÃO COME POMBOS.


Mesmo tendo como sua companheira Osun, Sangô continuou indo as festas sozinho, a fazer farras e ter aventuras com mulheres. 

Osun queixava-se de ficar só em casa, brigava e não se adomava com ele. 
Por isto, Sangô a trancou na torre mais alta do palácio.

Um dia, Esu veio receber uma oferenda, numa encruzilhada em frente ao palácio de Sangô e viu Osun chorando na varanda. Perguntando por que a Rainha Osun chorava.

Osun lhe contou tudo e Esu foi correndo contar para seu pai Orunmilá, que por certo, já sabia de tudo que se passava com sua filha. 
Mas aborrecido, por não ter concordado com a união de Osun com Sangô, deixou que ela passasse por esse sofrimento. 

Porém, era sua filha. Orunmilá preparou um "Isé"( pó de folhas mágicas ) e mandou que Esu disesse a ela, para deixar a janela aberta.

Esu à chamou e lhe deu o recado de seu pai. 
Osun abriu todas as janelas. Então Esu soprou o pó, que entrando pela janela, envolveu Osun, transformando-a numa pomba branca. 
Assim, transformada em pomba, voou para casa de seu pai, onde foi transformada novamente na bela ninfa dos rios e regatos. 

Desde então, Osun não aceita o pombo em seus rituais.


A AFINIDADE DE OSUN COM IYAMI OSHORONGÁ.


Osun era rainha de um grande e rico território. Mas o país foi invadido pelos lonis, inimigos ferozes de Osun, que eram atraídos pela riqueza abundante e fabulosa. 
Conseguiram tomar todo território, saquearam tudo e fizeram muitos escravos.

Osun conseguiu fugir com a ajuda de seus fiéis servos e para não ser aprisionada, fugiu, aproveitando-se da escuridão da noite. Entrou numa jangada, junto com amigos e servos fiéis.

Na beira do rio fez uma oração à OBALOMIM, o Rei das águas doces, que ouvindo suas preces, mandou um séquito de enormes peixes dourados e vermelhos, nos quais conduziram a jangada com segurança, para longe dos inimigos. 

Ao chegar na outra margem do rio, Osun, pediu as poderosas Iyás Oshorongás, que à livrasse do mal e desse de volta seu reino perdido. 

Logo, um pássaro negro cantou bem perto dela: "abará, abará, abará". Era o pássaro das Senhoras dos Mistérios. Osun entendeu a mensagem e mandou que seus fiéis súditos, preparassem abará e os deixassem na beira do rio.

No dia seguinte, os invasores foram até a beira do rio, atraídos pelo cheiro gostoso que dali provinha. Avistaram as iguarias e resolveram experimentar.
Comeram exageradamente, pois estavam com muita fome e aquela comida era muito gostosa. Comeram tanto, que acabaram dormindo e no sono morreram. 

Dentro do abará havia a magia poderosa das Senhoras Iyás Oshorongás. 

Osun deu oferendas ao rio e as Grandes Senhoras. Voltando, ainda mais bela a reinar em "Osogbô".

ERI YEYÊ!



OGUNTÉ TRAI OGUN COM OBALUAYÊ.


Ogun era casado com Iya Akadumé Ogunasomí, também chamada de Ogunté.

Ogun era lavrador e ferreiro e Ogunté com o passar dos anos ficou entediada com a monotonia da vida marital e também cansada da intolerância e ignorância seu marido, começou a ser infiel.

Ogunté era amante de um homem de vida desordenada chamado Obaluayê.
Ogunté esperava Ogun sair para o trabalho diário, então se arrumava usando sua melhores vestes azuis e então ia apressadamente para o casa de Obaluayê.

Mas acontece que um dos cães fiéis de Ogun começou a farejar algo estranho nas roupas De Ogunté. 

No dia seguinte, o cão identificou o cheiro e seguiu discretamente pela montanha e encontrou a casa de onde vinha o cheiro das roupas de Ogunté.

Ela então como de costume esperou Ogun ir trabalhar e se pôs a caminho da casa de Obaluayê.

O cão percebeu que seu dono era vítima de infidelidade.
Ele correu até as plantações, encontrou Ogun e disse-lhe tudo.

O fazendeiro Ogun voltou para casa, onde encontrou Ogunté, bateu nela, rasgou suas roupas e a jogou nua na rua, para que todos soubessem que era uma adúltera.

Ogun nunca foi feliz no amor.



ORISÁ AJALÁ.


Ajalá é o oleiro primordial. A parte de Osalá responsável pela criação física dos homens, por seu corpo, sua cabeça (onde vive Ori). Orisá esquecido no Brasil.
Ele representa o aspecto mais orgânico do ser humano; o tipo de barro, de maior ou menor qualidade, mais ou menos cozido (o que implica maior ou menor número de problemas), mais claro ou escuro. 
Ajalá mistura ao barro folhas, frutas, minérios, sangues e uma série de materiais que determinam como será aquela pessoa, como Ori poderá agir nela. Estes ingredientes, com o tempo perdem o asé (energia) e precisam ser de vez em quando, repostos, o que é feito nos rituais de candomblé, entre eles a iniciação.


Diz um dos mitos que Ajalá foi incumbido de moldar as cabeças dos homens com a lama do fundo dos rios e outros elementos da natureza. Ele moldava as cabeças e as punha para assar em seu forno. Ajalá tinha, contudo, o hábito de embriagar-se enquanto cozia o barro e criou muitas cabeças defeituosas, queimando algumas e deixando outras com o barro cru. A causa dos problemas que muitas pessoas apresentam antes de serem iniciadas viria exatamente de um ori cru, ou queimado, ou mal proporcionado feito durante alguma bebedeira de Ajalá. 
Como os Orisás não gostam de cabeças ruins, a pessoa ficaria desprotegida, sem a energia do Orisá. 
Depois que Ajalá terminava de fazer os ORIS (cabeças), Obatalá soprava nelas e lhes dava ENI, a vida.

Forjador de destinos, Ajalá os coloca ao dispor dos homens e mulheres para que estes os escolham.
Os destinos escolhidos se cumprirão um dia. Quando caberá a cada qual novamente escolher.

Orí é a cabeça que norteia todos os seres humanos e “Apéré” é seu suporte, por essa razão, sempre que louvamos Orí, evocamos também o seu suporte “Orí Apéré-oooooo!”, bem como o Orí Inú (encéfalo) “Orí Inú-oooo!” .
 Ajalá é a divindade à qual Olodumarè atribuiu a responsabilidade de “modelar” o Orí das pessoas. Muito embora Ajalá seja habilidoso na “arte de moldar cabeças”, por vezes ele comete erros e então surgem os “Orí Buruku”, que são as “cabeças defeituosas”. Cremos que mesmo antes do nascimento, escolhemos nosso Orí, pedindo-lhe junto à Ajalá. Essa “solicitação” é denominada “Àkúnlèyàn”, nesse momento o indivíduo “acorda” a sua permanência no Ayê, dentre outros aspectos de sua vontade. 
Isto posto, Ajalá dá a pessoa aquilo que os Iorubás chamam de “Akúnlègbà”, que é na verdade uma espécie de “mola propulsora” para que os “desejos acordados” sejam realizados. 
Por fim, Ajalá concede “Àyànmò” que é a parte do destino que mesmo através da mediação dos Òrìsàs não será jamais alterada. Ou seja, “Àkúnlèyàn” e “Akúnlègbà” podem sofrer alterações ao longo da vida. 
Essas alterações são possibilitadas por meios de oferendas, as quais são vislumbradas através do oráculo ou pela “fala” dos Orìsás, entretanto, aquilo que fora determinado em “Àyànmò” jamais sofrerá mudanças.
A afirmação de que nós mesmos escolhemos nosso Orí é fundamentada através de um Itán, publicado por Abimbola, o qual diz que Ifá foi consultado para “Orísèékú”, “Orílèémèrè” e “Afùwàpé”. Quando eles foram escolher seus respectivos Orí junto à Ajalá , o grande moldador de cabeças, Ifá determinou que eles fizessem sacrifícios de modo que escolhessem um bom Orí para o seus destinos. 
Orísèékú e Orílèémèrè ignoraram a recomendação de Ifá e somente Afùwàpé fez o que lhe fora designado. Como consequência, Afùwàpé teve muita sorte e prosperidade em sua vida, haja vista que, graças aos sacrifícios realizados, ele escolheu o “Orí certo” (Orí Réré). No entanto, Orísèékú e Orílèémèrè, que não seguiram a determinação de Ifá não tiveram a mesma sorte.

Ajalá é um Orisá muito antigo. Todos os dias, Ajalá faz muitas cabeças que depois de prontas, são colocadas ao sol.
Quando uma pessoas esta para nascer, ela antes vai até Ajalá para escolher uma cabeça.

O material usado para modelar cada cabeça dá a pessoa que a escolher, seu destino e seus ewós ( proibições). 
Ori, portanto, e a parte pessoal da existência de cada um. Ao escolher uma cabeça, a pessoa está também escolhendo o seu odu. 
O odu é semelhante ao signo astrológico e rege a vida da pessoa durante sua permanência no Ayê. Só Ajalá e Orunmilá conhecem o odu de cada um. Por isso, o odu só pode ser desvendado através do jogo.

A cabeça nasce antes do corpo, sendo mais velha que a pessoa e até mesmo que o Orisá que a tomou no momento em que ela nasceu. Por isso, antes de mais nada as pessoas devem adorar seu ori, cuidar dele. Cada pessoa tem o seu ori, não existindo dois iguais. Mas mesmo sendo único, o ori trás com ele a marca da ancestralidade.

O local de onde Ajalá tira a massa para modelar Ori é chamado Ìpori e aí se encontra a herança de cada um, especialmente do pai da mãe. Assim, tendo Ori em si um componente de ancestralidade, as pessoas devem, antes de tudo, venerar seus antepassados.

O alimento preferido da cabeça é o obi ( noz de cola ). O obi pode ser oferecido á cabeça sozinho ou acompanhado de outros alimentos. A obrigação na qual se “dá comida á cabeça” é o Bori.

Bori significa “festejo a cabeça, assim como outras obrigações são festejos aos Orisás ou aos ancestrais. Mesmo uma pessoa não iniciada pode dar um bori, desde que o jogo assim o recomende. Assim como qualquer outra obrigação, o bori deve ser precedido por um jogo, que indicará não só sua conveniência, como também tudo que deverá conter a obrigação, inclusive a descriminação dos alimentos a serem oferecidos.

A cabeça está no nascente e os pés no poente,. Por isso, durante o bori os ancestrais da pessoa são invocados, batendo no pé direito para chamar o pai e no pé esquerdo para chamar a mãe. O simbolismo dos pés, em contraposição ao simbolismo da cabeça, é importante. Os pés estão em contato direto com a terra.

Assim como a cabeça recebe o Orisá, o pé a parte do corpo que permite a comunicação com os ancestrais. É na terra que os mortos são enterrados e é da terra que saem os eguns – espíritos dos mortos, que são os ancestrais.

O bori é uma obrigação que visa fortalecer a cabeça para que ela esteja preparada para sustentar a pessoa, seja na vida particular, seja na vida religiosa. Por isso, quando uma pessoa está atravessando uma fase difícil, usa-se recomendar um bori. Na vida religiosa, o bori tem também uma função determinante: é uma participação , uma forma de pedir licença a Ori para fazer qualquer coisa na cabeça da pessoa.

Outro aspecto importante é que o Orisá não pode atuar de forma positiva sobre a cabeça de um filho se essa pessoa estiver com a cabeça “fraca”. Como o agricultor prepara a terra onde a semente deverá germinar, também a Iyalorisá ou Babalorisá, prepara Ori para receber os asés que serão dados pelos seus filhos.

Ajalá está esquecido no Brasil, tendo sido substituído por Yemonjá, a dona das cabeças, a quem se canta, no Sirê, quando os iniciados tocam a cabeça com as mãos para lembrar esse domínio e na cerimônia de sacrifício à cabeça (bori), rito que precede a iniciação ao orisá daquela pessoa. 
A cabeça, o ori, é associada ao destino, que não pode ser mudado e mesmo a infelicidade é entendida como consequência de uma escolha mal feita. 
Em Cuba, conforme vários mitos, Odudua teria feito as cabeças, as quais são cultuadas no assentamento individual de cada iniciado da entidade denominada Ossum, que na mitologia africana é uma das mulheres de Orunmilá. Não confundir com Osun.
Se Yemonjá é Iyá Orí, Ajalá é Babá Orí( pai da cabeça)

Odudua criou o mundo, 
Obatalá criou o ser humano.
Obatalá fez o homem de lama,
com corpo, peito, barriga, pernas, pés.

Modelou as costas e os ombros, os braços e as mãos. 
Deu-lhe ossos, pele e musculatura. 
Fez os machos com pênis 
e as fêmeas com vagina, 
para que um penetrasse o outro
e assim pudessem se juntar e se reproduzir.

Pôs na criatura coração, fígado e tudo o mais que está dentro dela,
inclusive o sangue. 
Olodumare pôs no homem a respiração 
e ele viveu. 

Mas Obatalá se esqueceu de fazer a cabeça
e Olodumare ordenou a Ajalá que completasse 
a obra criadora de Oxalá.

Assim é Ajalá que faz as cabeças de dos homens e mulheres. 
Quando alguém esta para nascer,
vai à casa do oleiro Ajalá, o modelador de cabeças.

Ajalá faz as cabeças de barro e as cozinha no forno. 
Se Ajalá está bem, faz cabeças boas. 
Se está bêbado, faz as cabeças mal cozidas, 
passadas do ponto, malformadas. 

Cada um escolhe sua cabeça para nascer.
Cada um escolhe o ori que vai ter na Terra.

Lá escolhe uma cabeça para si. 
Cada um escolhe seu ori
Deve ser esperto, para escolher cabeça boa. 
Cabeça ruim é destinho ruim, 
cabeça boa é riqueza, vitória, prosperidade,
tudo o que é bom.
ORI APERÈ AJALÁ!

Ájàlá wò rí wò rí mò yo (Curvamo-nos diante de Ajalá, curvamo-nos e ficamos felizes com sua sabedoria)
Álá wò rín kan (Curvamo-nos no Alá que é único)
E áwo firin mi (Durante o culto, caminhamos embaixo dele)
Be wi rò ko Ájàlá (Ajalá, suplicamos que venha nos trazer a paz)
Bàbá o ké di am-nó re ki Ájàlá (Pai Supremo, saudamos a sua misericórdia, saudamos Ajalá)
Be wi ro ko (Suplicamos que venha nos trazer a paz)







ORISÁ OKÔ.


Orisá Okô é o Deus da fazenda, o Deus da agricultura, uma divindade de suma importância na Cultura Iorubá, mas pouco conhecido no Brasil. 
No Terreiro de Osumarè ele é festejado há séculos, por meio de obrigações internas e cânticos que destacam o seu grande poder sobre a agricultura. 
No Candomblé a exemplo das folhas e água, usamos em abundância os grãos, tubérculos e frutos que a agricultura nos fornece, razão que já evidencia quão importante esse Orisá é para a nossa cultura.

Divindade da agricultura, ligado a colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra.
Na época em que os escravos chegaram, não deram muita importância a este Orìsá, considerando-o como da agricultura, em seu lugar, Ogun e dos grãos, Obaluaiyê.

Quando o mundo foi criado, ainda não existia nada plantado. Aqui morava um homem que nada fazia. Este homem se chamava Okô, nome que ele tinha recebido do grande criador.

É confundido com Osalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxorô no Brasil é de madeira.
Seu nome, em Iorubá, significa ORISÁ DA PALAVRA.

É representado por uma estátua de madeira provida de um imenso falo, tendo como símbolos um cajado de madeira, uma flauta, uma chibata de couro e uma faca com fileira de búzios.

Na África, usa-se uma barra de ferro como símbolo.

As abelhas são suas mensageiras.

Tem o poder de curar a malária, à qual estão expostos aqueles que lidam com agricultura.

É marido de Olokun e teve um caso com Yemonjá, que o seduziu para levar o segredo do inhame a seu filho Sangô. 
É arbitro entre conflitos, especialmente entre mulheres e muitas vezes juiz entre os Orisás.

Orisá Okô também é conhecido como Orishokô, ou Orisá . Seus sacerdotes são chamados de Já Osá.

Existem também sacerdotisas de Okô.
Estas formam uma sociedade secreta. Todas elas usam na testa uma marca vertical, metade branca e metade vermelha, desde a sua iniciação até a morte.

Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade.

Okô era um caçador que tinha o hábito de ganhar a vida pegando galinhas d'angola em redes colocadas nas terras de Ogun, um rico fazendeiro.
Tem um título: Eni duru, que significa aquele que é erigido, personagem em pé, referência a seus atributos fálicos.
Na época da colheita do inhame, ninguém comia o inhame novo sem antes fazer uma festa para Okô. 
As sacerdotisas do templo do Orisá se entregavam aos sacerdotes sexualmente e todo homem que encontrava uma mulher podia ter relação sexual naquele dia. 
Na ocasião, uma bandeja de madeira contendo côco, cana de açúcar, milho, inhame, todos crus, como oferenda. 
Nas festas na África, cozinha-se todo tipo de vegetais produzidos pela terra e são colocados na rua para que todos se servissem à vontade.
Sacrificam galinha de angola macho, tudo com mel, pois não se usa dendê para esse Orisá. Come cabritos brancos, novos de chifres virados ou galos brancos com esporão grande, além de pombos brancos.
As comidas devem ser brancas como: Acaçá, inhame cozido em fatias com mel e canjica também com mel.
Quando envelheceu, Okô parou de caçar e começou a adivinhar e passou a ter muitos seguidores.
Tem duas personalidades, de dia é o homem puro e perfeito, à noite disfarçado de Iku, a morte. Recebe os cadáveres de Yewá e Oyá enviados através de Omulú. Também vive nos telhados.
É um Orisá rico.

OKÔ E YEMONJÁ ANUNCIAM O FIM DA ERA DOS DEUSES.


Osayn e Yemonjá eram amigos e um dia ela quis percorrer o campo com ele.
Ela ficou fascinada com a beleza das matas, da natureza verde. 

O tempo passou muito lentamente nessa viagem, Yemonjá via tanta  beleza que se sentira como se estivesse em sua própria casa.

Portanto ela estava distraída pela vegetação, ela não percebeu que alguém estava olhando para ela através dos arbustos. 

Os olhos espiões pertenciam a Orisá Okô, que era o Orisá das colheitas fartas na terra.

Orisá Okô não pode resistir o desejo de aproximar-se de Yemonjá.
Então, silenciosamente ele veio por trás dela e ele viu nela toda a beleza que estava na terra, ela era maravilhosa!

Yemonjá tinha sido distraída pelo cenário que Osayn lhe apresentara na cidade de Yraô. 
Ela não tinha notado a presença ficando mais perto dela. Quando ela finalmente sentiu a presença de alguém ao lado e sentiu alguém a olhando ela se surpreendeu, mas ao invés de rejeitar o estranho ela abriu um sorriso de uma maneira amorosa.

Ele olhou para ela e sentiu um grande amor pela Rainha dos Orisás e um grande paixão ao vê-la sorrir.

A partir desse momento, as palavras não eram necessárias entre estes dois Orisás. Eles entenderam que foram feitos um para o outro.
Se casaram então.
Da união dos dois nasceu a paz.

Todos os Orisás entraram em um tempo de paz, até mesmo Ogun tinha
encontrado a sua paz nas montanhas de Efon. Sim, a paz tinha vindo para todos os reinos, até Ilê Ife estava em paz.

Mas a paz era o sinal do fim.

Olodumare havia anunciado a Orisá Okô e a Yemonjá que o tempo dos Orisás no Ayê já havia chegado ao fim, que era tempo de retornar ao Orun.

Yemonjá e Orisá Okô visitaram a cada Orisá, os avisando que já era hora de se preparar para deixar a terra.

Os espíritos dos Orisás vieram de Olodumare e era natural que voltassem para o entorno dele, porém os Orisás nasceram em corpo humano na terra e tinham filhos e filhas humanos e também cônjuges e amigos humanos, a despedida seria muito dolorosa.

Os Orisás tinham que abandonar o seus reinos, também deviam abandonar a carne do seus corpos para que seu espírito voltasse para o Céu.

Yemonjá e Orisá Okô finalmente voltaram para suas casas, para se  prepararem para os últimos dias.

O tempo de guerra acabou e os Orisás dedicaram o resto de suas vidas terrenas para amar uns aos outros e para se prepararem para sua longa viagem de volta para o céu.
O dia de partir chegou.

Olodumare apareceu para os Orisás como uma luz brilhante.
Ele começou a falar ... "Mesmo depois de deixarem este mundo, todos ainda serão Reis e Rainhas."

Quando os Orisás  ouviram estas palavras sentiram uma grande emoção e pela última vez eles derramaram  lágrimas dos olhos.
Era lágrimas de felicidade, porque Olodumare disse palavras que tinham trazido de volta a memória, tudo o que ela tinha sido no Ayê.

Olodumare continuou dizendo... "Quando suas carnes morrerem, a partir de vocês nascerão seres humanos que hão de povoar a terra. 
Contudo todos os Orisás estarão com eles e dentro deles e através deles viverão e retornarão para seus descendentes."

E assim os Orisás partiram para o Céu, mas sempre voltam a nós através de seus descendentes.

Okô foi o último marido de Yemonjá.

Maferefun Okô!
Asé!