JAGUN É OU NÃO OMOLÚ?


Muitos olham pra ele de várias formas, uns dizem que ele tem a famosa palha de Obaluayê na cabeça outros afirmam que ele usa apenas um Ojá na cabeça.

Independente de qualquer caminho desse Orisá, ele tem fundamento com Ogun, Ajagunã e Já.
É um Orisá quente de guerra, destemido e muito valente as vezes temperamental como os seus filhos, mais o seu objetivo é fazer paz em nome de Osalá e que eu posso dizer é que Jagun é natural das terras de Ekiti.

Por isso muitos confundem os filhos de Jagun com os filhos de Oxaguiã, Ogun ou de Omulu.
Mais a confusão entre Jagun e Obaluaye começa quando ele é ordenado por Osalá junto com Ajagunã e Já para atacar as terras de Osun, as terras de Osogbo.
Nisso Osun descobriu que seria atacada pelos 3 guardiões de Osalufã, rapidamente consultou Ifá e fez um ebó pra eles com Igbis e quando eles atacaram cada um foi para um terra diferente.

Jagun foi pra terras de Obaluaye, Já para as terras de Ifé Ogun e Ajagunã para as terras de Osaguiã.

Jagun começou uma nova vida por lá nas terras de Obaluaye, mais viu que lá não existia um culto especifico pra ele como tinha em sua cidade natal Ekiti e como estava perdido por lá e não sabia voltar por que também estava enfeitiçado por Osun. Então viveu nesse local por um tempo, conseguiu crescer e ganhar o respeito e o culto do povo da terra de Obaluayê e assim nasceu uma nova espécie de culto pra Jagun, sendo assim passando a usar a palha na cabeça mais até a cintura e por baixo da palha sempre usando o branco original seguindo a ordem de Obatalá (Rei do Pano Branco) sem deixar a raiz funfun e está ali lutando em nome de Osalá.

Mais Jagun não se contentou em ficar ali somente, inquieto e em busca da volta a Ekiti, passou por várias terras de vários Orisás e assim dando origem aos seus caminhos:

Jagun Elewé - Ligado a família Unjí, esse caminho é o caminho que Jagun passou nas terras de SapatÁ e encontrou Orisá Ọ̀sayìn e aprendeu a magia da cura e das folhas. Caminha com Ọ̀sayìn.
Sua ferramenta é um operè Ọ̀sayìn prateado, mas sem as folhas. Faz Orô com Ọ̀sayìn e ligado a Erinlẹ̀ e Ògún Já.
Nesse caminho ele é muito guerreiro e ligado a cura e os mistérios de magia de Ìyámi Oṣorongá.

Jagun Alagba ou Jagun Abagba - Esse caminho de Jagun é muito melindroso, pois ele tem muita ligação com Ìyámi e Babá Egun.
Pessoas desse caminho pelo menos tem que se tomar Bori ou Obi com Ejé duas vezes no ano.
É um caminho muito quente, tem ligação com Yewá, pois ela foi sua esposa e é bom arrumar todas as Iyabás para acalmá-lo, alias todos os caminhos é bom cercar com muito Orisá Omi e Òṣàlà. Esse caminho é Ligado a Ajagunã e Já.
Ele leva uma mão de pilão nas costas e mora no quarto de Orinsalá ou em um quarto com Ajagunã/Betiode ou Betiokô, dependendo do Odú da pessoa e Já. Para mexer com esse Orisá, independente de caminho tem que tratar bem de Ìyámi, Egun e Esú. Esse caminho de Jagun usa três kelês, um de Buzios, um de conta e outro de branco de Osalá.

Jagun Ọdé Ou Jagun Olodé - Ligado aos Odés. Inclusive mora no quarto dos Odés.
Ligado a Ogun e Ọ̀ṣọ́ọ̀si. Ele usa um Ofá prateado. Faz Orô com Ọ̀ṣọ́ọ̀si e Ogun Já. Mas se arruma: Ọ̀ṣọ́ọ̀si, Otín, Logun Edé, Erinlé, Iya Otín ,Ajagunan Bitiodé e Ògún. Ou seja ele é ligado a todos os Odés e mais, ele sai também no abadô de Ọ̀ṣọ́ọ̀si e nos mariows de Ogun.

Jagun Igbona - Ligaçao com Ayrá, nessa fase Jagun era lento como um igbí, que por isso Ayrá esquentou o casco do igbí para esquenta-lo. E por isso nessa fase de Jagun é muito quente por se ligado aos Orisás do fogo. Ayrá e Oyá.

Jagun Agbá funfun - Ligado a Oṣàlúfọ́n, Yemọnja e Oṣoguian. Esse caminho tem que fazer bastante orô a Ayrá, pois ele é guerreiro mais é bem lento.

Jagun Ajojí ou Jagun Seji Lonan - Ligado a Ogún, muito sanguinário. Ele é muito quente e guerreiro, nessa fazer Jagun usa mariows ou abre caminho para acalmá-lo. Faz orô com Ogún, esse caminho leva um kelê e umbigueira de ferro. Ligado a Esú Onã também.

Jagun Aisan - Esse caminho de Jagun é totalmente Fêmea ou seja Iyabá, esse caminho ele se cobre de palha ou mariows.
Assim conta -se o itan que ele nesse caminho seria fêmea e por mais um motivo que muitas pessoas confundirão Jagun c/ Obalúwaìye por esse caminho usar palha. Esse caminho só se arruma, não se faz em Ori.

Considerar Jagun como Obaluayê não está errado, pois o mesmo aceitou as tradições das terras de Obaluaye, mais também é correto usar por opção do Zelador todos os fundamentos desse Orisá, pois ele tem cantigas e culto próprio. É correto também Jagun não vestir palha.


Jagun era Guerreiro dos Exércitos de Obatalá e que foi enviado às Terras de Omolú para lutar pela paz em nome de Osalá. 
Por isso, ele é cultuado em algumas nações como “Qualidade de Omolú”, por ter passado vários anos em terras de Omolú. 
Trata-se de um Orisá Funfun, pois o culto a Jagun nasceu no Ekiti Efon, por esse motivo Jagun é cultuado no Asé Efon como um Orisá separado de Omolú. 
Antes dele ter ido para as terras de Omolú já existia seu culto no Ekiti, onde era sua terra natal. Assim também conta seus itans que Jagun teve passagem não só nas terras de Omolú, mas também nas terras de Ifé (Terra de Ogun) e Elegigbô (Terra de Osayan). Pela ordem do meridilogun, Jagun responde no Odú Ejionilê (oitavo Odú) Odú regido por Oxaguiã, Odú no qual também respondem outros Guerreiros Brancos como Ogun-Já e Oxaguiã Ajagunãn. Pela ordem de chegada dos odus, o culto a Jagun nasceu no Odú Okaran.

Os filhos de Jagun, tem aparência jovem, são autoritários, arrogantes, guerreiros, justiceiros, briguentos e agitados, fortes na adversidade, costumam fazer tudo à sua maneira, ouvem conselhos dos outros, mas costumam seguir sua própria vontade.
São pessoas trabalhadoras, gostam de tudo rápido, exigem asseio, limpeza; São pessoas impulsivas, pessoas de espírito livre, enjoam de tudo facilmente.
São dados a paixões violentas e passageiras, são curiosos, adoram viajar. Possuem grande proteção espiritual, boas amizades e quase sempre caminhos abertos. Possuem comportamento delicado, são honestas, dedicadas e atenciosas. Vivem com grandes esperanças, estão sempre apaixonadas, são sonhadoras, sofrem e se desdobram para ajudar e defender os amigos. Quando são repudiados ou sofrem algum tipo de traição podem se tornar extremamente vingativas e amargas. Apesar de serem guerreiras e obstinadas, as pessoas de Jágun, as vezes se isolam preferindo ambientes calmos e tranquilos. A personalidade dos filhos de Jagun é um misto de características de Ogun, Omolú e Oxaguiã.


Jagun, é uma palavra Iorubá e significa: Guerreiro, Soldado.

Jagun é um Orisá ambicioso, luta para conquistar posição alta sem ver de que maneira. Apesar de ser Orisá Funfun (branco), é considerado e cultuado como Santo de Guerra, “santo quente”, carrega uma lança prateada na mão e um facão e muitas das vezes dependendo do caminho de Jagun ele usa até um ofá nas mãos, pois conta se um itan que Osalá o nomeia como o guerreiro de todas as armas. Veste-se somente de branco. Usa contas brancas rajadas de preto e dependendo da qualidade, intercalada com contas brancas, gosta também de contas feitas de buzios e marfin. 
Jagun é Orisá Jovem, quase chega ser um menino adolescente de Obatalá .. Ligado a Obatalá (Rei no pano branco ), tem caminhos com Ogun Já, Oxaguiã – Ajagunãn, e Ayrá. Tem caminhos também com Yemonjá e quase todas as Yabás, pois elas acalmam sua fúria. 
Quem traz Jagun ao barracão é Osaguiã. 
Ele é considerado o “protetor” e “guardião” de Osalufã. 
Por ser considerado Orisá Funfun (branco), não leva azeite de dendê e sim azeite doce , adin e as vezes mel e de preferência a banha de Ori. 
Suas comidas são todas brancas, aceita pipocas feitas na areia, bolas de inhame cozido, bolas de arroz, acaçá, obí funfun (claro), come também do Ebô (canjica) de Oxalá, assim como seus bichos também devem ser todos brancos, por ser ligado ao rei do pano branco (Obatalá ). 
Jágun dança com outros Orisás, acompanha na dança; Ogun e principalmente Osaguiã e Osalufã. A dança de Jágun é extremamente guerreira, começa com movimentos lentos, dança empunhando sua lança e adaga, seu momento de “êxtase” é quando salta e se sacode todo empunhando a lança de um lado para outro, tamanha é sua fúria guerreira nessa hora. 
Segundo as lendas, a lança prateada de Jágun, durante as batalhas e guerras, além de ser usada para proteção contra os males e feitiçarias e abrir os caminhos, deixava seus inimigos cegos após serem feridos por ela. 
Jagun, assim como Ogun, é um grande caçador e por sinal foi ele quem ensinou seu irmão Osósi a caçar. Ele não deixa também de ser um guerreiro, assim é Jagun, um grande guerreiro mas também um grande caçador. E algumas de suas cantigas relatam isso.

Depois de anos, lá na cidade de Ekití, Olooke o grande senhor da montanha e rei de Ektí e pai de Osun, sentia falta de sua filha na cidade onde ela nasceu. 
Osun estava na cidade de Osogbo, então Olooke por ser muito amigo e companheiro inseparável de Obatalá, pediu a ele que enviasse seu filho Osaguiã para buscar Osun. Assim fez, Osaguiã foi buscar Osun a força. Osun não queria ir e ele não conseguiu trazê-la de volta, pois Osun amava a cidade de Osogbo, onde ela comandava sozinha tudo aquilo. 
Então voltou Osaguiã para Obatalá sem Osun. Osaguiã com medo da reação de Olooke pediu a Obatalá que não deixasse ele fazer nada contra ele. 
Olooke então lembrou do outro guerreiro de Osalá que se chamava Jagun e que ele muito confiava. 
Olooke ao saber que Jagun tinha sofrido um golpe por feitiço de Osun, ele imediatamente mandou chamar Jagun. 
Jagun então voltou a terra de Ekití onde ele nasceu, foi perante a Okê e lhe pediu perdão por anos sumido de suas terras, Olooke pediu que ele fosse buscar Osun.
Jagun retrucou dizendo que ela tinha o poder das Iyás e que ele não conseguiria. Olooke como ele que tinha outorgado as Iyás seus poderes de Ajé, falou: 
Ómo Jagun vá que nada te acontecerá.
Assim fez Jagun foi chegou e trouxe Osun. Olooke por estar tão feliz em ver sua filha de volta, deu o titulo a Jagun de Jagun-Efan, que seria guerreiro de Osun. 
Ele muito grato a Jagun deu lhe o privilégio de ser uns príncipes de Efan e dividir o reinado do Ekiti com Osun, para que Osun sempre lembra-se dele.

Bom, com isso Jagun voltou a terra de Efan, mas Jagun não esqueceu as terras do Jejê onde tinha filho, mulher e amigos. 
Aí demonstra o porque o Efan acabou tendo ligação com as terras dos voduns e porque hoje em dia e no antigo terreiro do Oloroke cultuavam voduns.

EPÁ ARAWÁ, JAGUN EPÁ!







Um comentário:

Carlos Alberto disse...

Muito bacana, porém não entendi a fase fêmea. Mas lenda é lenda. Se puder me esclarecer melhor esta questão...