NANÃ.


Nanã é uma Yabá de origem daomeana. É segundo as lendas, a primeira esposa de Oxalá, tendo com ele três filhos: IrokoObaluaiê e Oxumarê.

Mais Nanã, no culto anterior à chegada dos orixás iorubanos à região da atual Nigéria, teria um posto hierárquico semelhante ao de Osalá ou até mesmo de Olorum. 
Na mitologia do Daomé, Nanã às vezes é apresentada como orixá feminino, às vezes como masculino ou até mesmo assexuado, pai (ou mãe) de todas as coisas, seres e orixás. 

Nos cultos afro-brasileiros, é apresentada como Orixá indiscutivelmente feminino, primeira mulher de Oxalá (representando a antiguidade da civilização que a cultuava) e associada sempre à maternidade.
É, por tudo isso, a mais velha deusa das águas, tendo associações tanto com a morte como com a posição reservada aos velhos em qualquer sociedade.

O elemento de Nanã é a lama, o lodo, fundo dos rios e dos mares em geral. É, por extensão, a deusa dos pântanos, o ponto de contato das águas com a terra, a separação entre o que já havia (água) e o que foi libertado por mando de Olorum (a terra do "saco da criação") - sendo, portanto, sua criação simultânea à da criação do mundo.
Suas cores são o branco e o azul celeste e o roxo.



Contam a lendas que as desavenças entre Nanã e Ogum foram várias, entre elas onde a quizila do Orixá Nanã é o ferro (aço), devido aos problemas que este Orixá tem com Ogum e sua rivalidade.
Ogum o ferreiro guerreiro, era o proprietário de todos os metais, eram de Ogum os instrumentos de ferro e aço (preceito preservado no Candomblé), por isso era tão considerado entre os orixás, pois dele todas as outras divindades dependiam.
Sem a licença de Ogum não haviam sacrifícios (pois ele é do dono ferro); sem sacrifício não havia orixá, Ogum é o Oluobé, o Senhor da faca, todos os orixás o reverenciavam, mesmo antes de comer pediam licença a ele pelo uso da faca, o obé com que se abatiam os animais e se preparava a comida sacrificial.
Contrariada com essa precedência dada a Ogum, Nanã disse que não precisava de Ogum para nada, pois se julgava mais importante do que ele. "Quero ver como vais comer, sem faca para matar os animais", disse Ogum.
Ela aceitou o desafio e nunca mais usou a faca, foi sua decisão que, no futuro, nenhum de seus seguidores se utilizaria de objetos de metal que sacrifícios feitos a ela fossem feitos sem a faca, sem precisar da licença de Ogum.


Nanã sempre esteve em demanda com Ogum, que amava muito sua mãe Iemonjá, tomando partido desta na disputa que se estabeleceu entre elas pelo amor de Osalá.

Ogum, muitas vezes tentou se apoderar dos territórios lamacentos de Nanã sem conseguir. Como diversão, Ogum gostava de provocar a orixá, que exigia de Osalá que este fosse castigado, sem nunca ter conseguido, pois Ogum tinha fama de justo. Tantas vezes irritou Nanã que ela não recebe nenhuma oferenda feita ou cortada com objetos de metal e mesmo o sacrifício de animais feito em sua homenagem deve ser feito com faca de madeira, vidro ou com as próprias mãos.



Nanã e também chamada de Nanã Buruku, é a lama primordial, o barro, a argila da qual são feitos os homens. Dela saem seres perfeitos e imperfeitos, modelados por Oxalá e cuja cabeça é preparada pelo sensível Ajalá.

Dizem os mitos que antes de criar o homem, do barro, Oxalá tentou cria-lo de ar e de fogo, de água, pedra e madeira, mas em todos os casos havia dificuldades. O homem de ar esvaecia; não adquiria forma. O de fogo consumia-se, o de pedra era inflexível e assim por diante. Foi então que Nanã se ofereceu a Oxalá, para que com ela criasse os homens, impondo, contudo, a condição de que quando estes morressem fossem devolvidos a ela.

Sendo o barro, Nanã está sempre no princípio de tudo, relacionada ao aspecto da formação das questões humanas, de um indivíduo e sua essência. Ela é relacionada também, freqüentemente, aos abismos, tomando então o caráter do inconsciente, dos atavismos humanos. Nanã tanto pode trazer riquezas como miséria. Está relacionada, ainda, ao uso das cerâmicas, momento em que o homem começa a desenvolver cultura. Seja como for, Nanã é o princípio do ser humano físico. E assim é considerada a mais velha das Yabás (orixás femininos).

Dizem os mitos que nunca foi bonita. Sempre ranzinza, instável, sua aparência afastava os homens, que dela tinham medo. Teve três filhos com Oxalá: Iroco, Obaluaiê e Oxumarê (a terra e o arco-íris) e uma filha, Ewá, que teria nascido de uma relação entre Nanã e Oxossi, ou ainda entre Nanã e Orunmilá. Alguns mitos dizem também que ela é mãe de Iansã, os ventos, que foi expulsa de casa para não matar sua mãe, a lama, ressecando-a.

Ela os gerou defeituosos, por ter quebrado uma interdição e mantido relações sexuais com Oxalá, marido de Iemonjá. Abandonou a todos, que foram criados por outros orixás e acabou sozinha.


A Personalidade dos Filhos de Nanã são bem peculiares, pois uma pessoa que tenha o Orisá Nanã como Orixá de cabeça (OLORÍ), pode levar em conta principalmente a figura da avó: carinhosa às vezes até em excesso, levando o conceito de mãe ao exagero, mas também ranzinza, preocupada com detalhes, com forte tendência a sair censurando os outros.

Nanã é considerada uma, senão a mais velha dentre os Orixás do panteão Iorubá
Não tem muito senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fosse muito mais velha do que sua própria existência.


SALUBÁ NANÃ! 




NANÃ, NA MINHA CASA DE CANDOMBLÉ.






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