ORISÁ IKÚ.


Ikú, a morte é um Orisá designado por Olodumare para uma função derradeira. Existem e são raríssimas, pessoas de Ikú que evidentemente, não são iniciadas, cumprem normalmente seu destino e tem funções específicas num Ilê Asé.
Oyekú Mejí é primeiro caminho à terra, quando o Odú Oyekú Mejí chegou à Terra, a morte ainda não existia. Orisá Ikú (morte) nasce nesse caminho para cumprir sua função na Terra, Opirá. (FIM).
Oyekú Meji representa essencialmente a Morte, a profunda escuridão, representa também o lado esquerdo, o este e o princípio feminino.
Ikú vem buscar a pessoa no dia derradeiro e esteja nas condições que estiver, para levá-la de volta ao interior da terra, ao ventre de Nanã.
Ikú cumpre rigorosamente sua função e somente aqueles que conhecem os Omos-Odús de Oyekú Mejí, poderá conversar com a morte e por um breve tempo. Somente através do Imolé Esú e num determinado Odú é que se faz oferendas a Ikú, estabelecendo pactos e acordos com Ikú para adiar e afastar a morte, aliado aos bons ebós.
A troca pela vida, através de oferendas, é o ponto central do culto aos Orisás, a vida nada mais é que a mais valiosa de todas as trocas e também a mais cara.
As trocas não são eternas, chegará o dia que Ikú terá que cumprir sua função e ainda exigirá oferendas, para garantir que só levará apenas um. 
Há casos famosos de zeladores que depois de mortos, Ikú voltou algumas vezes para cobrar sua oferenda e não encontrando levava seus filhos, acabando muitas vezes, com a casa de candomblé.
Ikú antigamente só levava a morte os que Olodumare ordenava, mas depois de um fato em sua existência, Iku se tornou cruel e odioso. O Odú Oyekú Méji conta porque a morte passou a ser cruel como os humanos:
Ikú era o Orisá do fim e só fazia o que Olodumare ordenava. Por um engano, uma injustiça a mãe de Ikú foi espancada e morta na praça do mercado de Ejìgbòmekùn. 
Ikú ouviu e gritou alto, enfurecido! Assassinaram a mãe de Ikú! 
Iku fez do elefante a esposa de seu cavalo. 
Iku fez do búfalo sua corda. 
Ikú fez do escorpião o seu esporão bem firme pronto para a luta. 
Ikú batalhou contra os humanos e matava quantos podia e matava sem piedade, mas uma vez perdeu a luta. 
Ikú foi subjugado e seus inimigos o obrigaram a comer tudo o que era proibido comer, segundo o conceito do èwò. 
Os inimigos de Ikú foram a sua casa e chamaram Olójòngbòdú, a mulher de Ikú. Olójòngbòdú foi chamada cedo, pela manhã e os inimigos perguntaram o que seu marido não podia comer, o que ele tinha como èwò. Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ratos.
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comece ratos. Ela disse que as mãos de Ikú tremeriam sem parar. 
Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer peixe. 
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse o peixe. Ela disse que os pés de Ikú tremeriam sem parar. 
Ela disse que Ikú, seu marido, não podia comer ovo de pata. 
Eles perguntaram o que aconteceria se ele comesse ovo de pata. Ela disse que Ikú vomitaria sem parar. 
Os inimigos de Ikú o obrigaram a comer todos os alimentos proibidos, isso o enfraqueceu e o impediu de matar sem qualquer critério, ou seja, a morte foi subjugada apenas depois que seus inimigos conseguiram que ele comesse o que era proibido comer. 
Ikú não deixou de ter ódio pelos humanos e passou a comandar aos Ajogún ou guerreiros do mal: Aro, Ofo, Ejó, Egba, Fifitiwó, Akobá, entre outros. 
Ikú passou por grandes tristezas. Ikú é apaziguado, mas não é iniciado. 
Ikú é intimamente ligado a Nanã, Obaluaye, Ogun e Oyá, também a Egun e a Iyamí. 
Ikú se veste de preto. É um Orisá que deve ser respeitado, pois todos o encontraremos um dia.
Com Ikú não se brinca, quando Ikú chega, o nosso Orisá não está mais conosco, sabe que já cumpriu sua função e somente Orí acompanha a pessoa até o fim.
Asé!



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