YABÁS.


De acordo com a tradição Iorubá, no principio do mundo, a terra, representada pela mulher foi o único antepassado que acompanhou os dois princípios ancestrais: Oxalá e Ogun. 
Isso nos leva a crer que para estes grupos as mulheres sempre desempenharam vital importância e sobre elas caíram a responsabilidade de como a terra sustentar o mundo. Como no mito que conta que Nanã ampara o mundo. É ela quem cuida, junta, ao mesmo tempo que separa para que o dia não se encontre com a noite, os planetas não se choquem e assim por diante. 
Acredita-se que a força da terra esteja presente em todos nós, mas de forma especial nas mulheres, talvez isso explique porque desde cedo as primeiras civilizações para estas compuseram cânticos, ou mesmo as chamaram de música, ou assim que puderam, as transformaram em objeto de adoração, ergueram para elas cultos, ou ainda estabeleceram relações entre estas mulheres e as frutas que como a terra guardam elementos geradores de vida.

As Yabás são representadas como mulheres guerreiras, caçadoras, comerciantes, médicas e artistas. Afirma-se também que elas estão por toda a parte, no céu como a lua e as estrelas, no mar encantada em qualquer peixe, sobre a terra em todos os seres vivos e no ar, movimentando-se como o beija flor, a borboleta, as abelhas ou qualquer pássaro, um de seus símbolos por excelência. De acordo com algumas histórias preservadas nas comunidades terreiros, estão sempre se transformando em pássaros. O poder de transformar-se ou encantar-se é outra característica das Yabás.

Yemonjá mesmo, a mãe dos orixás encanta-se como qualquer peixe. Ela teria se transformado num rio a fim de vencer uma montanha que se colocou como obstáculo no seu caminho. 
Oyá também se encanta ora num leopardo, ora num búfalo. 
E como não lembrar de Osun, a Yabá que “vestiu de planta”? 
E Ewá, a caçadora que tem o poder de ficar invisível.
Assim, as Yabás estão presentes em toda a nossa vida. Elas presidem todos os ritos de passagem, assim elas acompanham desde o nascimento à morte. Até mesmo aquelas sobre as quais pouco se fala como a velha Opaoká, cultuada nas centenárias jaqueiras, Ajê Salugá, a que preside o comércio, Obá , guardiã de todas a mulheres e Nanã, a mãe criadora e principio da transformação. 
Não obstante estes elementos que apresentamos, o símbolo por excelência das Yabás mesmo é a terra. 
Ela é a grande mãe, a que nos sustenta, razão pela qual é saudada como Iyá mim, literalmente minha mãe.

ASÉ!
                                             

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