YEMONJÁ ASAGBÁ.


Muitos Yaôs nascem para esta Yaba, Yemonjá Asagbá, chamada também de Assabá, Chabá ou Sobá.
Vamos entender a importância desta Yabá:


Uma luz brilhante veio à Terra e essa luz desceu na casa de Yemonjá. Diante de Yemonjá aquela grande luz começou a falar em uma voz potente e poderosa, mas a voz não podia ser ouvida com os ouvidos, ela era sentida pela alma. A voz de Deus emanava dentro de Yemonjá e ela podia ouvir palavras dentro de sua cabeça...
Era Olorum, o Deus pai. Ele disse-lhe:

"Yemonjá, tenho observado você!
Ninguém mais na Terra tem as suas qualificações para dirigir e criar. Eu vim para dizer-lhe que a partir de agora você será "Oní Okuni Asagbá" (aquela que foi eleita Regente absoluta)de todos os cultos. Suas palavras serão respeitadas tanto quanto as de Obatalá."

E Olorum se foi em um relâmpago.

Esta curta visita provocou em Yemonjá o sentimento de gratidão.
Ela decidiu oferecer a Olorum um grande evento onde um banquete seria oferecido em nome de Olorum.
Todo o reino se agitaram pelo grande evento que estava por vir. 
Sete dias após Olorum ter feito a sua aparição para Yemonjá, foi o dia do banquete e todos os Orisás se reuniram para se alegrar com ela.
Mas a maioria dos Orisás não acreditavam que Yemonjá havia visto Olorum, para eles ela era só uma anciã já enlouquecida pela idade. 
Todos vieram, exceto um, O rei de Irê.
Ogun Onirê se recusou a vir para a festa, pôs Yemonjá não o havia convidado para realizar os sacrifícios antes do banquete e Ogun é o incumbido de Olorum para sacrificar os animais e se sentiu desonrado e desmerecido.

Yemonjá ficou tão furiosa que até pensou em ir para Irê e trazer Ogun arrastado pelos seus cabelos, ela iria ensinar-lhe uma lição, já que ele devia obediência a ela. 
Esú sempre gostou de Yemonjá e tentava acalma-la abanando-a com o Abebé. 
Através de Esú, ela mandou um recado para Ogun dizendo:
"Ogun filho de Oduduwa e Yemú, a Olorisá Yemonjá Asagbá está convocando sua presença imediatamente." 
Mas a resposta foi um simples e direto: "NÃO IREI".

No momento em que Yemonjá mais uma vez estava com raiva, a filha que ela teve com o Orisá Olokê veio acalma-la, era a feiticeira Osun, veio e pegou a mão de Yemonjá e disse:
"Mãe, eu irei trazê-lo para que coma junto conosco."

Os Orisás entreolharam-se incapazes de acreditar no que ouviam, a Yabá Osun iria entrar na floresta de Irê para forçar Ogun a vir a presença de Yemonjá Asagbá? Todos duvidavam dela, não acreditavam que Osun pudesse vencer a petulância de Onirê.

Osun desceu do palácio e foi em direção a Ibú Nibé, a grande Floresta, levava uma talha cheia de onyi (mel) em suas mãos. Osun encontrou Ogun dormindo dentro do tronco oco de uma grande árvore, ela sabia que era ele por causa do cheiro de Oti (cachaça) vindo de dentro do tronco.
Ela mergulhou os dedos no mel e passou nos lábios de Ogun, o enfeitiçando para mudar a sua personalidade e o tornar mais doce e maleável e enquanto ela passava o mel ela cantava:
"Eu sou a doçura sobre a terra, aqueles que me provaram nunca hão de me esquecer..."

Foi assim que Osun foi capaz de convencer Ogun para segui-la de volta para o reino, onde os outros pensavam que Osun falharia, mas para o choque de todos, Osun entrou no salão de mãos dadas com Ogun e eles dançaram diante de Yemonjá para honra-la. 
Osun demonstrou quão grande ela era em seus feitiços. 
Os Orisás indagaram a Osun como pudera dobrar o temperamento de Ogun por meio gentilezas e ela lhes respondia que "A Água sempre acha uma passagem, nada a segura ou é mais forte que ela".

A Yabá Osun trouxe grande felicidade para todos os Orisás e a festa começou. 
Havia muita comida e bebida, mas os Orisás começaram a abusar do Oti e a festa estava a ponto de virar uma baderna, pois haviam se esquecido da razão para que tinham se reunido, isso que enfureceu Yemonjá! 
Ela ficou tão furiosa com seus irmãos Orisás, que teve vontade de parar a festa, pois sabia que Olorum não aceitaria aquela baderna como ato de ação de graças a ele, porém o banquete havia sido realizado em sua honra, era para agradar Olorum.
No momento em que a festa estava no auge, a terra começou a tremer, os ventos sopravam com força e uma luz brilhou no meio de todos os convidados, uma luz tão forte que cegava os que lhe encaravam. Apenas Yemonjá e Osun entenderam o que estava acontecendo e então se prostraram diante da luz em posição "foribalé".
Os outros Orisás estavam muito espantados e não sabiam o que dizer ou fazer. Foi então que ouviram uma bela voz saindo da luz e voz disse:

"Yemonjá você deu uma festa em minha honra e isso me deixou muito satisfeito. Eu tive que vir participar, pois sei que sua casa é também minha casa. Sei o quanto sofreu em sua vida Yemonjá e ver que após tudo, ainda tens amor por mim, me da muita felicidade."

Todos os Orisás ficaram perplexos, fazia muito tempo que Olorum não descia ao Ayê e naquele dia ele tinha vindo para honrar Yemonjá e disse ainda que Yemonjá lhe trouxe felicidade.
Todos os Orisás colocaram as suas cabeças no chão em honra a Yemonjá Asagbá.

Por ordem de Olorum, Yemonjá agora tem autoridade sobre todos os Orisás e ela que com auxilio de Esu e Obatala faz o Elegun nascer e ser Yaô de seu Orisá.
Sem Yemonjá não ha Yaô.

Que todos se curvam a Yemonjá, pois o cargo dela não foi dado por homens e sim por Deus e Deus nunca deixará de reconhecer os puros corações.

ODOYA! ERUYA! ORI Ô! OMI Ô!


YEMONJÁ ASAGBÁ nasce no Odú Osa Meji (9-9), ela é uma Orisá ARA ONU (que veio dos céus) e por isso se diz que foi o primeiro Avatar de Yemonjá. Devido uma peleja com Odara, ela teve a perna ferida e ficou manca. 
É a Yemonjá da liderança e comumente suas iniciadas recebem Oyê's significativos como Iya L'Asé, Iya Kekerê, Iya Basé, Iya Efun e Ajibonon.

Asé!






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